Segunda-feira, Julho 06, 2009

DIALOGOS III

…o verão ficou algures, aqui é inverno, chuvoso e violento, eu indefesa e sem protecção…do outro lado da vida -!!!- de olhar firme, andar imponente em cena surge meu doce e estranho Juiz -outra determinaçao de mim - a tal protecção para o inverno que me assola. Nos seus olhos a pergunta que não quer calar:
e sua paixão pelo inverno ?

Como nunca o fiz antes confesso então, que via de regra não me correspondem os objectos do meu amor. Terno compassivo e com um misto de autoridade sentencia:
Se me amas siga-me…
cabisbaixa opto pela indiferença – como seguir-te? se ainda falta tudo, e tudo o que sabe a tanto, se ainda falta a mistura explosiva que faz a caldeira alimentar vagão a vagão, andar e ganhar o mundo …
Se me amas siga-me, insiste meu eu extraordinário
- como te seguir? Se ainda faltam os orgasmos, não os subjectivos causados pelo olhar, faltam os de corpo, de pele, de palavras murmuradas entre apertos e gemidos…
Se me amas siga-me,
Como desistir agora? depois de dares-me a liberdade de poder ser um Eu livre da fuga voraz da fútil tentação, o que me rendeu mais conhecimento de mim, mas conhecimento da necessidade (in)voluntária do profundo querer … Porque seguir-te se ainda é hora de ousar, não em outras possibilidades, mas no reinventar o já inventado
Se me amas siga-me
Guardião de mim, não me instas que te siga, ainda é hora de reexercitar o cérebro e decifrar o me querer ambíguo. Eu sou você e estamos juntos, numa pureza transcendeste e me proteges e me entendes, e me correspondes, mas eu sou desejo, não dos que levam a alma a loucura mas ao bem, ao belo, ao justo, a correspondência possível…as flores…

Sexta-feira, Junho 19, 2009

SALA DE ESPERA



O Gil é um desses mangolés que conosco foi à diáspora e pela graça de Deus - foi mesmo graça de Deus- dois anos depois de ser chumbado por aqueles testes da ESSO, e quando já estava a lutar pela vida na banda, recebeu um estranho e-mail para contratação urgente… depois de seis meses de ESSO um novo contrato com outra petrolífera americana – não lembro o nome- e já la está há quase dois anos. Tem vida Mulata e viaja meio mundo, quando nos encontramos é só gargalha: eu a Methamorfose, ele o Ambulante. De entre outras histórias, das que ele conta constam as do luxo das salas de espera mundo afora, salas de espera que deixaram de ser um local de sofás tranqüilos e passaram a ser verdadeiros lugares de conforto e luxo…aqui estou eu, em uma sala de espera, com conforto e luxo sim senhores! - valeu-me Deus, ao não fechar meu bolso aos Usd 200 dólares a mais que me deram direito à classe executiva, de outra forma, estaria nos bancos metálicos e frios da classe do povão - também sou povo, mas…- agüentando o inverno do sul da áfrica que já se faz sentir! Afinal a bendita TAAG esta com um atraso de quase 06 horas. Mas não quero falar do atraso da TAAG e muito menos do conforto da sala de espera – o atraso é só esperar, o conforto é só curtir, quero mesmo é falar das apetitosas histórias que vão tendo a sala de espera como palco-cenário, ainda mais com mangolés…aqui reina o cômico e o dramático: perto de mim uma professora universitária, que trocou o terninho e o sapato alto por uma calça safaresca, uma jaqueta jeans e um boné cangurú – qualquer semelhança comigo é mera coincidência. Depois de dar um forte aperto de mão a um velho professor – ou professor velho - das microeconomias, o acompanhante do tal professor, pergunta sem discrição nenhuma:- oh mano, mas essa assim é doutora mesmo pá? Sem esperar resposta, desgasta o seu fastidioso inglês para conseguir o número de telefone da sul africana que profissionalmente atende aos desesperados passageiros, acto contínuo, abre a mala de mão e oferece um perfume: Meu Deus!! – penso - na banda já alguém ficou sem perfume!! Ficou Kibuzento - como diria o Djonson do Rangel – do Djonson falo outro dia… Enquanto tento concentrar-me na leitura da aula de amanhã, uma voz irritante me tira a paz, curiosa saio do meu esconderijo e vejo dois patrícios - iguais aqueles da música não publicada do Yanick- discutindo calorosamente sobre licenças do IPGUL – ai meu Deus como eu que quero uma licença para minha terrinha no Benfica!! – tenho sim uns m²s e daí?? – retiro deles o meu olhar e volto concentrar-me no texto, mas eles insistem em falar tão alto, como se todos nós fizessemos parte da conversa: tamos com fome pá, ta todo mundo aqui na sala a reclamare pa, manda-nos comida pa-, quando fores lá ao Sambila, na minha administração vas ver pá! ahh, o tal parece ser ou foi administrador do sambila… - te ligaram da banda? Epa tenho romingui pah, o estado paga pah! – e seguiram conversando em plena exibição de poder, coisas do nosso povo!… Sem dúvidas: Angola e Moçambique nisso se parecem: no Jet-set nacional, que o diga Mia Couto: boas maneiras? Te-las nem pensar, o bom estilo é ser agressivo, grosseiro, prepotente... Até o tipo que pareceia calmo e concentrado na J´dafrique também transportou para o país dos outros os ares de chefe, de tipo mandão, que olha o mundo inteiro com superioridade de patrão: só tem este whisky?? Dá lá um mais velho pa, isto tá pago! Tomara que o sul africano não entenda nennhum português!, ... coisas da terra... hora de partir, penso então no gilberto e como seriam as horas na sala de espera sem o nosso Jet-Set nacional...

Segunda-feira, Maio 11, 2009

DIREITO DI NASCE de Manuel de Novas



Mãe qu'tê'me na ventre
Dá-me nhá direito di nasce
Pai quande 'm nasce
Dá-me nhá direito di vivê


Fazê nos lar
Lugar mas sabe qu'tem na mundo
Fazê nh'infancia
Un jardim de felecidade

'Judá-me crescê
Cu tudo amor e amizade
Dá-me' bô carinho e bô ternura
'O mãe querida que Deus dá-me

Dá-me leite d'bô peito sagrado
Mamãe querida
Dá-me sustento bençoade
Papai querido

'Juda-me vivê nhás ilusão
Nhás fantasia
Mi qu'ê bsôte flor d'revolução
Mi qu'ê bsote fruto d'alegria

Segunda-feira, Março 30, 2009

Por onde andarás????

... por onda andas meu sábio juiz??? estranha-me essa sua irónica ausência que frustra meu sentido de segurança e estabilidade: dúvida e incerteza confundem-se em mim, e aos poucos vou perdendo a capacidade de conviver tranquilamente com a segunda, como um dia me ensinaste... a vida pede-me decisões imediatas, mas pior que incerteza e dúvida, é a decisão equivocada! e o povo obriga-me a isso, não permitas que eles - o povo - sejam juizes de mim. Por onde, por onde andas meu sábio juiz??

Terça-feira, Março 17, 2009

Ontem lembrei-me de ti, durante e depois da chuva, e veio o sono, e adormeci… hoje amanheceu céu escuro e melancólico, e novamente as lembranças de outras chuvas, de uma que inspirou poesia, e de outra que inspirou ousadia, quando convidei-te a partir comigo, e aceitaste, mas seguiste viagem tendo como companhia a criança desprovida de carinho, e a mulher a teus pés nada te dizia… assim é a chuva… faz pensar, lembrar, recordar...
recordar que uns dias depois daquela chuva, a criança cresceu, e foi tua vez de então convida-la a partir, e novamente seguimos viagem, mas, apesar de intensa, a jornada foi curta… morrera a confiança, ainda assim, aprendi a amar mesmo quando não quis…ainda amo…

amanheceu, na rua as marcas da chuva, em mim as marcas indeleveis de ti. Porque não? ... e lembrei de tantas outras coisas de tí, de nós, das alegrias, da traição (e foi traição??), da cruel mentira que parecia verdade, dos pubs imaginários, e dos safaris e hoteis 5 estrelas, do viver adiado, do saber enganoso que rouba a felicidade... lembrei de coisas boas, ruins, curiosas, hilariantes, com saudade, com afecto, com raiva, mas sem arrependimento, no meio das lembranças veio o sol, o sol e uma porta… a porta da razão, que divide a minha e a tua verdade, o meu e o teu querer… esse é meu mal: te querer amar…lembrar...chuva...sol, sabe Deus, ELE sabe

Quinta-feira, Março 05, 2009

LUB LUAN...

E fiquei assim vagando no pensamento, com o cérebro a meio gaz, a cabeça quase em chamas, nem o elucidante artigo do Greg recém publicado me eleva o ánimo… em mim se refaz o quadro da cidade abarrotada, onde é mais vantajoso andar de duas rodas humanas do que das quatro inventadas pelo homem…
E fico assim meio perdida em mim, e no preço da condiçao feminina presente no liquido vermelho e aquecido que voluntáriamente escorre... há quem goste, em nome da preservação d humanidade, eu não!…
um pouco mais abaixo, nas escadas que dão acesso ao poder, sentada uma menina de trancinhas curtas - um retrato de mim no passado - perdeu a viagem para o saber, e enquanto espera, refaz o dever de casa… que futuro??!
Do outro lado nas escadas que dão acesso ao céu, um homem feito louco reza em viva voz a vinda pré anúnciada de um Pedro Alemão,
Eu, prossigo em mim e comigo…
Na outra esquina, um usurpador do alheio esboça um discreto sorriso de satisfaçao e em nome de fazer cumprir a lei, destrata as mães andantes e deixa dezenas de crianças sem pão…
Vem-me de novo Neruda e a exigência da interpretaçao do saber poético: não sou escritora, muito menos exegeta, faltam-me idéias, aliás, tenho-as muitas, confusas, desorganizadas, obrigo-me a dar-te razão: apesar de abarrotada, a cidade me faz solitária e desconexa… Lub…Luan… ainda assim o sorriso!! a hora é essa!!

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009






...se ilhas falassem, te diriam da consternação pelos humanos que vivem amores escondidos, no silêncio e na clandestinidade. Se o Mussulo falasse te diria da lágrima escondida, do brilho da lua, que presa na onda silenciosa rasga o mar e quase se faz sorriso, te diria também do desejo de vitória da solidão, do prazer de ter um amor compartilhado, mas ilhas não falam, apenas obedecem, é dito antigo: Calavai-vos diante de mim ó ilhas....

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

… antes que tudo se ofereça a mim, vejo o alvorecer da aurora, e faço então um retrato pouco fiel de mim, nele, as marcas de sua estranha ausência … preencho-a então de rasgos de inspiração, que na madrugada ganham obrigatoriedade, e deixo (re)nascer a dança das letras, te que por elas mesmo, chegue então a dança dos flamingos... sabe Deus!...

Domingo, Fevereiro 01, 2009



...é madrugada, ainda estou aqui...

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

WORKLOVER


...imitando-lhe o gesto ao inves de e-mail, enviou uma carta pelo correio, e nela disse que não voltaria, pois agora o destino se cumpria no poema de Paulo, que diz que: " Para ser mais feliz tem que ser em Angola" ... abro mão do conforto urbano do primeiro mundo, e fico aqui com gente que é minha gente, e encaro a grande possibilidade de reinventar a vida, refazer sonhos, ... aqui trabalho árduamente e com dedicação, mas acima de tudo, muito prazer! Hoje o trabalho não é fuga, é diversão, e apesar das insuficiências daqui , sinto-me caminhar de mãos dadas com a leveza da vida, o amanhã ainda é incerto, mas será de grandes possibilidades, e será aqui..."

Leslye Worklover

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Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Em plena época do .com, e dos @, Leslye rcebeu uma carta à moda antiga, envelope selado, entregue pelo carteiro - dizem que seu verdadeiro nome não é Leslye- mas que importa??? A carta já suja e empoeirada, quase ninguem mais ia checar a caixa postal. Na leveza das roupas cruzou a maginal, inclinada sobre o que restava de um banco de pedra abriu o envelope e per correu o olhar sobre as letras pretas gravadas em papel branco, antes mesmo de terminar, caiu na gargalhada e como se ele a estivesse vendo, respondeu em jeito de poesia cantada:

...bastava que visses
estes miúdos simples
Saídos de becos e lixeiras
Mas que com garra e talento
Fazem o novo Hino de Angola
Bastava isso e um pouco mais
Para então entenderes
Porque não mais a ti voltei

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

CARNEIROS...

Um mar de coincidências,
Um desejo oculto á espreita…
Sal e sol que viram lua,
de uma paixão inesperada
Um beijo que cala os tons da noite,
Corpos que se doam em som harmónico
e a madrugada é feita de marcas
da tatuagem corrosiva
que fica, fascina, marca, amadurece….
[Carneiro….

Sábado, Novembro 15, 2008

- Até disseram que a professora não tem problemas com o interior, que gosta de estrada e de outros ventos...
- É... talvez
- Saimos e fazemos "trabalho de campo": Luanda, Cunene, Lubango, Luanda: Taag, estrada, um mini motor e estrada novamente.
- Óptimo, aliás fantástico!
Horas depois, muitas horas depois: gelo nas veias,
- esse mini motor!!! Mas, tudo bem, aliás…
- aliás o que????
- Percebido, claro, caiu, mas também dizem que forçou o piloto a manobras impróprias para mostrar suas propriedades a amigos
- hummm, isso é especulação, quem viu??? Caixa Preta? Ahahahah, não existe e se existe não acharam….
-Mas a professora tem medo??- Medo eu? Não... quer dizer
Então: Mochila nas costas, pé na estrada

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

NÃO MAIS EU

Quando não mas for eu
Me desfarei de ti
E seguirei o curso da vida à solo

Quando não mas for eu
Serei a nulidade
Rumo ao incerto fragmentado

Longe do apego que escraviza
[martiriza…

Quando não mas for eu
Viverei sem a dor
Da não-aceitação do ser eu

Seguirei um novo caminho
Liberta da auto-piedade
[ da autocomiseração
E serei então livre!

Livre da realidade fabricada
Livre da insanidade do eu
[em ti
Quando eu não for mas eu!...

Sábado, Novembro 08, 2008


Caolo, Lubango, Huila 19 graus, céu nublado- Paz, tranquilidade e um verde acizentado... é isso, o resto é fazer da vida uma linda melódia, mesmo a solo,

Quarta-feira, Outubro 08, 2008

...


00:50 despediu-me, mas no ar ficou o adeus pendente, irresponsável mas maduro... antes mesmo de abraçar o macio da colcha, reclino-me à Janela e vejo uma Lubavitch de céu escuro e meio nublado que parece também adormecer da lida do dia... do alto da torre observo-lhe o caminhar, da escuridão me acena (??), lenta e vagarosamente segue seu rumo, sem testemunhas, apenas eu e um policial que cochila em pé...Entre nós, nenhuma mágoa, somente o pretérito eco dos traços sagrados que viram palavras... é madrugada!

Terça-feira, Setembro 02, 2008

In METHAMORPHOSIS III



Dias de verme, noites de dor e ansiedade
O tempo não para, não para o querer em mim

Do estilo passado restou o disfarce
De meu fraco poder em ti, a tatuagem
Do absurdo e da opressão do mundo, o desespero
De mim, um pouco mais de sabedoria, autoconhecimento
Da dor da mudança nenhuma obsessão, nenhuma culpa…
Em tudo, o desejo de voltar a lagartear
E tudo são possibilidades tremendamente reais!
Em ti, ou na estranha Lubavitch…

Sábado, Junho 28, 2008


... ao entardecer, novamente no cais, sentada e profundamente reflexiva, chegara por acaso a Lubavitch, mas sua permanência na cidade-ainda que por pouco tempo - não era por acaso. Sabe-se em Metamorphose, mas com conhecimento profundo de sí, daí a razão de de nada prometer, o fundamento da promessa pode ser frágil e perder-se no que ainda há para caminhar, viver, amar... Na memória refaz o cenário da partida: disfazem-se em promessas, e o mundo, dela espera reciprocidade, audaciosa, expressa sentimento sem nada prometer...

Sábado, Junho 07, 2008

LUBAVITCH II

Fotografia:Lucas C. Arte de Mathaya
É cacimbo, de volta a Lubavitch, já fria e pouco acolhedora, como sempre foi desde que a conhecí: aqui e ali um som festeiro, nos cantos e carros escuros corpos sem pudor entregues aos prazeres da carne, do outro lado do oceano, o poeta faz esperar a poesia, e afoga a nostalgia em repetidos e intermináveis goles de courvosier. Ao lado do poeta, dezenas de expatriados-trabalham arduamente durante a semana, e seu retorno financeiro os obriga a serem quase os únicos frequentadores dos points do cais. Assim é em Lubavicth: do lado mais alto da cidade, o discurso militarista foi substituído por outro que, apesar de duvidoso, renova nos citadinos esperanças já há muito envelhecidas. Enquanto isso, eu me alimento de sentires de um tempo que foi e ainda é… de entre eles meus quase-relacionamenos, alguns deles deixaram cicatrizes que ainda voltam a doer quando chega o cacimbo. Na caminhada me dou conta que não vou só, caminha comigo o velho Juiz (não juiz velho!) que também vive as mesmas perturbações. Como em outros tempos, nos damos as mãos e permito-me embebedar por tamanha sabedoria e simplicidade, de quem despiu as vestes de magistrado, é mostra-se simplesmente homem, humano, ele que como alguns de nós tem por Lubavitch alguma estima, cidade dos nossos quase relacionamentos!. Diferente de muitos, ele sempre os viveu - e vive -com muita intensidade:
- Uma das coisas que me completa e preenche, é a coragem de falar (contigo) abertamente de nossos amores e quase-amores. Enquanto não (nos) voltamos a amar, vivemos os amores um do outro e isso é bem mais compensador que alimentar cicatrizes.
As palavras do Juiz me surpreendem, com elas um arrepio percorre-me o corpo e a alma. Ele, no alto de sua inteligência - e como em outras vezes - lê-me o pensamento e antecipa-se: desembrulha um sorriso e junta-se a mim num longo e terno abraço, que oferece calor ao cacimbo já anunciado. Mais uma vez sinto aquele velho sentimento de quere-lo sangue de minhas artérias. Porque???? tantas desilusões, mas ai estava ele, apoiado em si mesmo, em Lubavitch…
Amanhã, talvez dividiremos a mesma poltrona, de volta então ao nosso mundo real…longe da fria e amada Lubavitch, e tálvez como em outra viagem, ele me segrede ao ouvído: honey It´s not easy when we have to let things go, when we all have to make hard decisions and give up of some things that you love!!

Sábado, Maio 03, 2008





… ganhou um Organza da Givenchy
que despertou nela outros sentires
trazendo de volta o querer do amor
que se alimenta de cheiro e toque,
mas a vida madura, a maturidade,
obriga-a a aceitar o amor que suporta renúncia
e se alimenta de saudadeMercúrio!

Domingo, Abril 20, 2008

DAÍ A RAZÃO DA MINHA SAUDADE!

...toda vez que ganhas o céu, resta-me a cidade vazia, hoje, preenchida por uma mutamba anoitecida e escura, palco da lua cheia namoradeira, que tenta mostrar-se entre o Vernon e o que virá a ser o Zimbo. No meu peito, só o lamento por não poder resgistrar o cenário para a posteridade (por onde andam nossas sony, samsungs????).
...depois do lamento plagio-te: "emocionante a tarefa de querer, gostosa a arte de ter, necessária a arte de estar no cenário e manter o cenário. Daí esta minha saudade"
A tua saudade é decididamente também minha! Até a volta.

Sábado, Abril 19, 2008

YESTERDAY


... um sábado como outro qualquer, a comtemplar a magnitude do ser (que ser?) que gira em torno do inexplicável, mas me provoca, me completa.. blá, blá... é a tal corriqueira SÍNTESE DE MÚLTIPLAS DETERMINAÇÕES...
I believe in yesterday...

Quinta-feira, Abril 17, 2008

… metafórica, reflexiva e um pouco nostálgica, amante da madrugada e do som, que hoje é o da chuva num concerto de uma melodia contínua em uma só nota. Junta-se a melodia do locutor de rádio, este, actor de insónia involuntária, e lembra-me então que já é novo dia, por sinal o meu dia!
Nostálgica da velha infância, quando sem bolo nem velinhas, havia a oração em família, onde carinhosamente ouvia-se “Deus Pai, abençoe esta miúda” (Minha Mãe!)… e o tempo passou… chegou a hora de partir, e parti na base do dito de um sábio velho replicada por meu Pai “ filhos são como barcos, no porto estão seguros, mas foram feitos para ganhar o mar..”. Parti na conquista de outros mares. Ao passar pelas estações, o Inverno foi sempre o mais impiedoso, um rasgador de velas, desestabilizador de bússola...mas ainda assim segui forte e guerreira, velejando pelos mares, afinal, vivia sob efeito de “Deus Pai, abençoe esta miúda” e a bênção era contínua, mesmo nas tempestades...
… chegou um novo tempo, o da intensidade plena, de um aprendizado involuntário, mas necessário! Com ele, as perguntas que se calaram em mim, pelo simples facto de não saber lidar com as respostas…
Dizem que para nos sentirmos completos é preciso ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro: arvores plantei algumas, as que resistiram, estão perdidas pelas florestas da vida, livros são projectos concebidos e com back ups na memória de Pcs, filho alguma vez o concebi na alma, mas tão logo floresceu o abortei, esperando então o momento certo, da concepção dupla: de corpo e alma!
Enquanto isso, busco a plenitude em outros estares, um deles é essa companhia atraente e viciante feito meu mar, como parte de mim, sem nessa redução, deixar de ser de quem sempre fui (de mim!).
É mais um ano e, sou hoje o que construí (ainda a construir) ao longo da vida: sonhos, decepções e medos, eu mesmo os determinei, e o que alguns chamam de sucesso, eu o conquistei com persistência (ainda há muito por preservar e reconquistar), as lágrimas e o sofrimento foram merecidos e fizeram-me (fazem-me) crescer e aprender…
...6:17 - lá fora, ainda a música tímida da chuva, que agora faz orquestra com as buzinas lembrando-me que é quase labour hour.
o locutor de insónia involuntária, já substituído por outro diuturno, e eu… sempre igual a mim, e começa então o festival (festival???): happy birthday…

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Na madrugada inconscientemente vens tú dizer-me que vives a nostalgia, esquecida nas cartas manuscritas, do tempo em que e-mails eram o futuro... sensata rendo-me ao momento, mas descubro que para dizer-te, nada mais tenho... e o momento não se eterniza... mas fica o tributo ás coisas boas, também as más - que curiosamente marcaram menos que as boas- e continuaremos sendo parte de nós, sem deixarmos de ser nós, só porque somos humanos... Dont Give Up!!!

Quarta-feira, Abril 02, 2008

“FEITA(S) PARA VOAR…”


A Chuva deu tréguas e descortinou-se um entardecer luandino de ruas inundadas e de esgotos esquecidos, mas não se ouve o ruído das águas o que se ouve é o ensurdecedor som de buzinas, parece uma orquestra desafinada. Caminharam pausadamente sobre o que resta da calçada a muito transformada em estacionamento, até alcançarem o fim (ou começo?) da marginal. Com bancos de área a roubar o velho cenário que remetia os olhares ao mar, acharam um cantinho debaixo da torre do relógio, e enquanto ela organizava os rascunhos, divertiram-se rindo da ultima do J.Luís Mendonça “tuji makers” (in JA 30/03/08). Sem mais rodeios partiram para a discussão do texto:
ELE: então criança que titulo sugeres?
ELA: “Feitas para voar…”
ELE: sabes que eu nunca entendi muito bem essa tua frase das águias. Não te esqueças, mais do que tudo, elas são predadoras...serás também?
ELA: Serei? Provavelmente, com algumas diferenças! Predadores são concebidos para realizar uma missão: preservar a mãe natureza, e são perfeitamente adaptados a realização da tarefa para qual são concebidos,
ELE: Quais as diferenças?
ELA:A imperfeição e a impiedade, predadores funcionam como maquinas perfeitamente reguladas e quase sempre cumprem a missão de maneira impiedosa, as aguais fazem parte destas maquinas implacáveis e sumptuosas concebidas para caça, mas apesar disso elas não tem vida própria, estão para uma finalidade,
Ele: e a sua missão?
ELE: Mais do que missão um desafio: Manter-me aqui no topo da cadeia, e lutar contra o único predador de mim: o homem! Vencer o que me ameaça e constrange: os sepulcros animais e desérticos que insistem em tomar conta de nós…

ELE: “De Nós?” ah percebo …Sem comentários!


… e sem mais comentários ele recolheu os manuscritos, com olhar interrogativo fez uma leitura dinâmica, como presa a fugir do predador afastou-se …
ELA (em pensamento): a única solução viável para este desafio é não fugir… Até. Mestre!!

Sexta-feira, Março 21, 2008







…depois de amar,
a angústia
e a tentativa de rimar palavras puras
que dissessem sem lágrimas
isso que hoje sinto,
mas,
na ausência delas,
apenas o silencio,
e essa insistência em dizer teu nome,
novamente
MERCÚRIO!!…

Segunda-feira, Março 17, 2008

SAINDO DA ROTINA ( Weekend at WAKU-KUNGO)

…ainda anestesiada pela ímpar lembrança de ter rasgado as estradas do país numa super máquina. Ver chegar a noite no campo e uma meia-lua que insiste em namorar a torre da igrejinha esquecida no cume da montanha... na madrugada, emoções confumdem-se entre o sonho e a realidade, o eterno e o efémero… ao amanhecer, um céu chuvoso com cadência de gotas que molham o chão... um pouco surpresa, prendo-me no vago desassossego de meu íntimo. Ao som das gotas, junta-se o canto despercebido de um pássaro... talvez morar na cidade chega a ser um desperdício de tempo - reflicto - mas também não me vejo como gente do campo, mas aqui, pelo menos o cenário é recíproco às necessidades da alma…


YEP, DONT GIVE UP!!!



Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

...MY LIFE IS NOT MY OWN

You can say I´am a dreamer, but when I wake, you can't break my spirit, it's my dreams you take...


míuda!!

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

CASTLE HAVEN, CAIS DE QU4TRO, MIÚDA!!




…acordou distraída de tudo, sempre com aquele pensamentinho: “odeio trabalhar”, mas, somente no pensamento, porque a realidade faz o mundo pensar que ama trabalhar. Sob o esticar das cordas de Jonatham Butller- sua nova paixão – pega estrada e acelera fundo. No escritório espera-lhe um velho conhecido, cada vez mais velho – o tempo não perdoa! Sorri ao ver-lhe, e como sempre, perde-se em lamentações, diz que odeia a actual estética de corrupção dos engravatados do poder – como se eles não existissem há tanto tempo! - admira as esculturas da sala, e faz da dona parte delas, enche-a de elogios, esquece-lhe os defeitos e fala de suas falsas virtudes. Confiante lança então o convite: almoçamos hoje? A indesejada resposta vem costumeira e divertida: tenho n relatórios para terminar e não posso me dar ao luxo de sair para almoçar e o tránsito não ajuda. Insistente repete o convite e lembra de outros almoços, jantares,- mas parece um museu de inúteis vivências do passado- pensa a escultura e insiste na negativa. Vencido, despede-se. Ela folga então de felicidade por agora poder concentrar-se e trabalhar longe do nostálgico do passado… dedicadamente mergulha ao trabalho até que:
Ele: alooo, estás bem miúda? Sabes pá, estou num trânsito infernal,
Ela: Relaxe q isso já faz parte de nós
Ele: miúda tens ideia do que fazer para restaurar a velha ideia de amor?
Ela: por agora não, mas prometo pensar, respondo-te durante o jantar
Ele: isto é um convite? Se é…
Ela: Cais de quatro, 20:00hrs
As luzes mornas de Luanda iluminavam a Baía dando-lhe um ar namoradeiro não visível durante o dia. Encostada ao cais, aprecia o mar calmo enquanto espera pelo míuda. Para sua surpresa, na mesa oposta, aquele velho amigo de rosto sereno e em monólogo com um whisky qualquer…Outras imagens juntam-se aquela e povoam seu pensamento, e agora é ela que se vê nostálgica de um tempo que nem sabe se existiu, dos encontros nos pubs próximos a Hawley Arms na Castlehaven Road, das sentadas ate ao amanhecer no Marítimo, quando as regras duras desse tempo global não faziam parte de seu dia-a-dia… quase deixa-se dominar por um sentimento de culpa, aqule velho amigo(...) mas vence-o. Culpa tem Luanda, que de tão sem opções torna inevitáveis os reencontros… já pelo final da noite, viu-o esvaziar mais um velho esporão... sabia o quanto ele foi importante em sua vida, mas foi, passado! Sorri animada pro miúda e no intimo busca conforto (desencargo de consciencia???) em Deepak Chopra “Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento” este é o momento do miúda, é o que ela precisa, e é com ele que cabe agora discutir o como restaurar a velha ideia de amor, mesmo sabendo de antemão que ela não sabe amar como o mundo ama...

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Memórias: uma velha, um piano velho, o Jorge!

…Amílcar Cabral, 15:40. Semáforos off line, uma velhinha, – gosto de ver idosos, talvez por haver poucos a andar pela cidade - dois embrulhos, e eu. Ajudar ou não ajudar, eis a questão? Ajudar! Já do outro lado da estrada: "minha filha ieu moro no tarcheiro andar, ie rápido…". Pensei: velinha abusada (…) mas fui! Com a respiração ofegante pousei as sacolas na porta, já de saída, agarrou-me o braço e forçou o convite: “ientra filha, ao menos uma iagua”… guiada por um sei lá o que, aceitei, em vez da água, um café sem açúcar.
Instintivamente meus olhos pousaram sobre um monstro de ébano adormecido na sala: um velho mas belíssimo piano de cauda! “Posso”? Ela: "sim, sim, claro". E dedilhei (desafinado)… ela sorriu e disse: “tanho a história da minha vida guardada nas teclas deste piano” a frase me pareceu familiar, muito familiar, mas de onde?
BINGO!!!: O Jorge!!! Eu era menina de 14 aninhos e, conheci-o acidentalmente - dois dias antes da minha cerimonia de final do curso de música - na casa de um Eng. onde tive as primeiras aulas de computação num velho Machintosh. Falei da formatura e timidamente convidei-o também a ir ver-me tocar o "Ein feste Burg" de Martin Luther (o n. 323 CC-castelo forte) que eu havia ensaiado com muita dedicação, conduzida pelo Mestre Floriano.
Não sei, mas creio que o Jorge - recém chegado da Europa do Leste - já era músico, pois falou-me de harmónia e ritmo com muito apego e paixão. De entre muitas coisas lembro ter-me dito que “ as teclas de um piano têm muitas historias guardadas...”
O Jorge presenteou-me pela formatura, meu primeiro teclado electrónico, que neguei - porque meninas não pod(iam)em aceitar presentes de pessoa que não era conhecida do Papá e da Mamá.
Passarm-se pouco mais de 15 anos , e aqui estou: um piano velho, uma velha, e as lembranças do Jorge… que dizem continuar na cidade e tocar por ai numa banda de engenheiros…
talvez um dia volte a visitar a velha e seu piano (talvez não), talvez me arrependa de não ter perguntado que histórias têm as teclas do piano da velha... Mas o momento é nostálgio, lembranças do Jorge, que dizem, ainda tocar na cidade numa banda de engenheiros... o Jorge...

Domingo, Fevereiro 03, 2008

Mussulo Fragmentado

…domingo de feriado e de Carnaval (feriadão). avisto um entardecer luandino tranquilíssimo… uns esconderam-se nos seus casulos, outros abraçaram a estrada e foram ver Angola, uns há que ainda recordam mabakas, enquanto outros preparam mascaras. Eu, me divido entre os vários eus, e um deles afasta-se da cidade e vai ver o lamento do oceano, o mar me atrai, chama-me, e me convence, juntos murmuramos então a saudade do querer que partiu, e que deixou o gosto amargo de pecado…mas entre eu e o querer – ausente - uma muralha: o pedaço de mar…Mussulo fragmentado!!!!
mabakas=catanas

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Imagem do Blog da Diva (trasformada por mim)

... So porque pensei em você fantasia
melancolia, madrugada, sabe Deus!...



Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Meio Tom


outra vez, ao "apaixonante" fim
antecede aparente tristeza
prelúdio para um novo (re) começo...
de lágrimas, gemidos sorrisos
no tempo de um sustenido qualquer
quando a música se ajusta,
somos novamente os tais que
se querem sem prender para não perder...
separadamente Juntos, Mércurio!!

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

QUE SERÁ DE MIM QUANDO ME FALTARES...????

..um dia sentada ao lado de um poeta, lendo juntos um de seus poemas, fixei esta: "Que será de mim quando me faltares??..." Longe de mim, que em breve me faltarias. E aconteceu -exatamente no momento ingrato que para mim era o recomeço, depois da longa ausência, dificil, mas necessária - e ficou esse eterno não ter-te... mas a vida foi me ensinando a sobreviver, e fazer valer esse meu ser livre sem ti, e mesmo quando possível e oportuno não deixei que me passases do pensamento á palavra...Mas hoje faço-o, numa tentativa de aceitação do meu vazio, esse vazio deixado por tí e que por mais que o evite, permanece! E a vida vai me sendo assim: um filme opaco... E faço com a palavra essa luta expressiva comigo mesmo, em que o outro lado, a oposição, é meu próprio Eu, assim vou sendo esse ser intimo do nada, fragmentado, desnudado de tudo e em constante metamorphose, é nisso que me volto a ti, conselheira silenciosa de minhas angústias, é assim que no silêncio da madrugada reescuto-te nos dizeres da terra: "Kilumbu u kumbanza me'" MINHA MÃE!
* o poeta:I.M.
o dizer da terra: o mesmo q "has de pensar em mim um dia..."

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

GOTAS, GRAVATAS & VENENO

Ontem o Céu da minha cidade escureu e tudo indicava um novo desfile de gotas, nos trazendo à lembrança o que aconteceu ha um ano: uma Luanda de GOTAS, GRAVATAS E VENENO. O desespero, o medo, a força das águas... As marcas permanecem e o desfile das Gravatas continua...

Amantes ainda jemiam nos leitos
E os sós em sono refaziam sonhos
Gotas silenciosas envenenaram os tetos
E o céu tingiu-se de cinza e revolta

Descortina-se uma Luanda adormecida
Onde as águas fazem o verde mais verde
E ao povo dos subúrbios trazem o amargo fel
Uns se afogam outros se esvaíram

Enquanto isso de seus casulos
Despertam as poderosas gravatas
Rumo a honra que cede lugar a esperteza
Em nome do povo que jaz nas enchentes

Gotas silenciosas envenenam o chão
E o desfile das gravatas continua
Mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar
Elas se deleitam em sua esperteza

Lágrimas derramadas têm os meninos
Que de olhar distante, das águas curtem a força
Lágrimas sugadas pelas lembranças
Do que ontem foi seu habitat

Gotas insistem em doloroso veneno
Sós e amantes juntam-se aos meninos
E vivem o prelúdio de morte anunciada

Gotas são peste fome e mais miséria
E da esperteza das gravatas o alimento

Quarta-feira, Janeiro 16, 2008


Mãos cansadas e delicadas
Remendam as velhas sandálias
Conhecedoras intimas das areias e do asfalto

Sem rumo definido, silenciosa caminha
Para si, sai em busca de pão
Água e alguma esperança

Entre a calçada e o asfalto, de costas á areia,
Divide longos e apressados passos

Em pensamentos revive o tempo
Em que esperançosa sonhou e lutou
Por dias melhores para os seus

Mas a pátria roubou-lhe o sonho
Um a um viu os seus partir
Podendo por eles, nem ao menos chorar

Alguns deles resistiram ao novo tempo
Mas, entregues ao álcool e a frustração
Também deixaram-na só…

Um após outro entregou-os à terra
Solicita, dos costumeiros panos pretos desfez-se


Negando-se a ser vitrine da dor !


Hoje, anos depois
Nos pés e na alma, feridas afloram trémulas
E ao tempo suplicam cura

De encontro ao Kinaxixi esquece o velho balaio
Serena embala seus panos e do mar distante
Curte o frescor desolador


Das velhas sandálias descansa os pés
E em jeito de súplica, a Deus pede um novo tempo
O tempo do eterno descanso.

Domingo, Janeiro 13, 2008

CONCEPÇÕES DA ALMA


Sob a brisa do entardecer
em papel
recrio as concepções da alma
e de súbito vem-me a lembrança
esse ser de meu estranho ser

Porque amar humanos?
se posso amar-te a ti
nessa criação
as vezes intelectual
e ainda assim chamar-te amor!

Se posso recriar-te
sem temores, sem ilusões
sem tristezas, e longe de conflitos

Subitamente me lembro
que gosto tanto
desse seu não ser humano
mais do que a vastidão de humanos
e nisso nos parecemos, talvez!

Anoitece
Da criativa alma escuto:
há de ser assim por muito tempo!

Querer-te sideral
longe de temores, ilusões
as vezes de um jeito intelectual
e apesar disso chamar-te amor

Talvez, seja assim para sempre!

Terça-feira, Janeiro 08, 2008

BIOGRAFIA

Juntar cacos
De uma fantasia desfeita
E voltar a sonhar
Com novas fantasias

Com versos proliferando
O coração que ama

Recosturar a biografia
Emergida do Sonho
De uma dura realidade

Deixar fluir ares mais amenos
Ares que reflictam o amanhã

Juntar cacos
Reconjuga-los no plural
Exorcisar da biografia
Todo passado

Sem dor, sem ressentimento
Deixar fluir novos sentimentos

Voltar a palmilhar cada espaço
Voltar a ser meninva

Sonhar, viver, amar...

Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

2008! VIVA O ANO NOVO TODO ANO!




Passei um tempo muito precioso fora do reboliço da velha Luanda, curtindo a beleza do Sul da Africa, entre a arquitectura cuidadosa do Melrose e o deserto seco e atraente da Namíbia eu aprendiz de camera man: a Sony tem tudo registado, quem viver, ops, quiser verá!!! Ficou para traz a paz, a tranquilidade, o sonho, a aventura. De volta à realidade, de volta ao blogmania.
Pois bem, com a chegada do novo ano é normal que façamos um balanço de tudo o que realizamos, e estabeleçamos novas metas para os próximos 12 meses, o espírito de mudança, determinação e esperança em conquistar mais, é muitíssimo forte: amar mais, ser mais profissional, cuidar mais da saúde, tomar menos café, ousar mais, economizar mais, investir na casa própria (…), mas infelizmente passa Janeiro e as propostas de mudanças ficam esquecidas numa gaveta ou num arquivo intocável no nosso PC, e aos poucos abandonamos a vontade e a crença na mudança, e quando chega um novo Dezembro o facto de o ideal não se ter tornado real traz-nos então a sensação de frustração, Onde está a falha? Para uma nova vida, novos propostos não precisamos da chegada de um novo ano, afinal, as mudanças podem ocorrer a qualquer momento, pois não é o ano que faz as mudanças acontecerem, mas sim o nosso interior, os nossos pensamentos, a nossa determinação e a nossa força de vontade. o que transforma nossas vidas é a conscientização do nosso interior, somos totalmente responsáveis por nossas vidas, e as mudanças acontecem em nós e não na vida, é preciso aprender que as mudanças apresentam sempre dois lados e nem sempre são más , e tudo depende de como encaramos a situação. Muita paz e amor, façamos a nossa parte e o mais Deus proverá! Deixo a todos e com muito carinho aquelas duas palavras de sempre: ATITUDE e OUSADIA! (não interessa a ordem)

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Eu não sei chorar como o mundo chora
Sinto forte minhas dores
Mas não as traduzo em lágrimas

Simplesmente vivo

E por que lágrimas? Para quê me serviriam?
Se a viagem ainda é longa, Se lágrimas ofuscam a visão

Eu não sei amar como o mundo ama
Amores, vivo-os intensamente
Mas por eles não luto, Simplesmente os deixo fluir

E por que lutar? Por que subjugar, dominar
Se lutas deixam feridas e feridas dificultam o caminhar

Eu não sei prender como o mundo prende
Faço-me cumplice da tal liberdade
Que nos permite chegar e partir

E por que prender? Se prender nos faz perder
E perdedores não podem caminhar

Eu não sei querer ficar quando o ideal é partir
e porque ficar? Se há novos sóis la fora
Se novos sóis iluminam o caminhar
Eu simplesmente seguirei vivendo...
Eu do mundo nego-me a ser aprendiz

Domingo, Outubro 14, 2007

EXISTÊNCIA X LIBERDADE


Amanhã não estarei mais em cartaz
E terás perdido a oportunidade ímpar
De comigo contracenar

Amanhã a peça será outra,
E a cena será de crianças e adultos
Actores de um humanismo genuíno

Amanhã já de liberdade conquistada
E junto aos de Eu refeito
Serei então, conselheira de tuas angústias

E diante das possibilidades de escolha
Serás legislador de ti mesmo
Pronto para o duelo existência/liberdade

Quem sabe amanhã
Tú em outro Eu, intensamente provocante
Ainda te queira em cena, mercúrio!

Amanhã!

Somente amanhã, pois hoje I'm much too tired to play your (our) game,
I was up all night…

Terça-feira, Setembro 25, 2007

...



...ainda a enorme vontade de me fundir em você mercúrio,
ainda a saudade da ingenuidade ora perdida,
ainda o cálice dolorosamente intangível
mercurio, mercurio...

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

EM NOME DA LEI II

"A Cidade está a mudar " o velho Juíz lembrou-se do que um amigo lhe dissera em tempos. Diante daquele cenário começa então a vivenciar na pele as ditas mudanças: No meio da plebe ouvia-se vinda do palácio, uma voz num misto de génio e de louco: "EU, PÔNCIO PILATOS, aqui Presidente do Império Romano, dentro do Palácio e arqui-residência, julgo, condeno e sentencio à morte, Jesus, chamado pela plebe - CRISTO NAZARENO - e galileu de nação, homem sedicioso, contra a Lei Mosaica - por INSUBORDINAÇÃO ao grande Imperador TIBÉRIO CÉSAR. Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte na cruz...Mando, também, que nenhuma pessoa de qualquer condição ou franja da sociedade se atreva, temerariamente, a impedir a Justiça por mim mandada, administrada e executada com todo o rigor, segundo os Decretos e Leis Romanas, sob as penas de INSUBORDINAÇÃO contra o Imperador Romano"

As reações foram rápidas:o antropólogo, também estilista com um ar muito calmo exibiu uma frase de revolta: " The raping by the ass of a beautifull teen virgin called democracy, I said 4 years for what?" o político falou para os mídia e mostrou-se muito decepcionado com o fim, o pensador e formador de opinião permaneceu mudo e todos entenderam o porquê, o próprio César -antes mesmo da sentença-fez as malas e foi ver uma velha amiga-muita velha imperatriz - de um estado amigo de Roma. O sóciologo que sempre quis ser juiz, não tinha muito interesse na sentença como tal, esperava apenas mais argumento, mais retórica e triste desabafou: bah que decepção!!! Julgamento isso? foi mais uma grande fantochada concebida por quem o promoveu para dali extrair dividendos políticos! Os discipulos, por incrível que pareça esconderam-se todos em tocas, mudaram de identidade, uns até converteram-se a César. Nos muros do palácio frases a favor e contra foram grafadas pelo Senso comum.

E este juíz ainda muito embaralhado com o cenário, seguiu em frente subordinado a seus próprios pensamentos, e sobre os seus quase dois metros de altura murmurou cabisbaixo: " a cidade está a mudar!!! Está dada a sentença!" E ainda em pensamentos lembrou a velha máxima romana Vae Victis! (Ai dos vencidos!)

Terça-feira, Setembro 18, 2007

SINGELA HOMENAGEM


Amanheceu Segunda Feriado , como muitos Luandenses madruguei na luta pelo “comburente” Galp, Marginal, Rádio e finalmente a longa fila do 1º de Maio, que também denominaram de Praça da Paz. Quem eu encontrei? Agostinho Neto, firme imponente. Tentei a duras penas ler-lhe as feições do rosto na ânsia de descobrir se o Poeta, o politico ou o médico humanista: tudo nele se confunde…
Lembrei-me então de ontem a noite: Três gerações - a de meu Pai, a minha, e a depois de mim - reuniram-se na sala lá de casa, todos em torno do tão esperado feriadão. Se aos últimos a data quase nada dizia, aos da geração de meu pai e aos da minha, era sinónimo de nostalgia! Meu pai lembrou nostálgico aquele 22 de Agosto, quando nossa cidade natal foi palco do último discurso do agora “Guia Imortal”: “tem kizakaé??” perguntara o líder levando o povo ao delírio, fazia-se já sentir a pouca intensidade da voz do líder; minutos depois, Maria Eugenia lhe passara um bilhetinho. Desculpou-se então por não poder fazer um discurso mais longo: “minha voz não esta boa”.
Quase 20 dias depois o país vestiu-se de preto e as lágrimas rolaram inconsoláveis, a nós que éramos criancinhas nos foi passada a mensagem de que não teríamos mais brinquedos, pois o camarada presidente uafú kya, e com o olhar cravado na foto do líder, inconsoláveis, juntamo-nos áo pranto dos adultos:
povo a chorar, povo a gritar Netuéé …
Agora vejo-te ai Neto poeta! Sabes tu do que vem acontecendo além do Zaire e Kalahari? Que fazes ai de braço erguido? Sabes que roubaram-nos a esperança e quase nada mais inspira nossas consciências desesperadas. Nas Sanzalas, nos subúrbios e nas cidades, os negros continuam em desespero abandonados a sua própria sorte.
Ai Neto, 28 anos depois não tem bancos no Kinaxixe, onde sonhaste sentar e ver os servos de pais também servos em busca de alguma felicidade e glória. Meu caro Neto, vivemos em bairros cada vez mais escuros onde nosso desejo de SER é utópico, e nossas mães Neto, ainda morrem porque foram-se os médicos humanistas, nos restam os capitalistas, e quando nós mesmo não podemos traze-las à vida, morremos então, e no ar ouve-se em sintonia o chora da Africa, Neto! E em muitos de nós ainda persiste a vergonha de as chamarmos MÂE.
Neto meu poeta, já não se fazem mais amigos - como aquele teu - o Mussunda- capazes de SER no espírito e na Inteligência! Nós simplesmente não SOMOS MAIS, Neto!
Mas fizeram-te herói, e hoje vão render-te homenagem lá onde fizeste teu ultimo discurso, e vão faze-lo novamente em outros Setembros … e tú amigo Neto enquanto permaneces ai no silencio de pedra, aquela outra geração depois da minha, passa por aqui e não sabe que ai onde vives havia um blindado, símbolo de uma guerra da qual se calhar nem cúmplice foste meu poeta, (poetas não fazem guerras!).
Estes míudos que ai dormem não sabem nem de longe daquele velho lema “pioneiros de Agostinho Neto na construção do Socialismo, tudo pelo povo” esses nem são pioneiros, são simplesmente uns putos, que sem pão e sem casa tem por sombra os teus inertes pés Neto, marginalizados pelo sistema, pela vida…
Neto agora preciso ir, até porque a fila dos comburentes está bastante avançada. Sei que logo mais dois bons amigos vão fazer-me aquela crítica de sempre: Como insistes em oferecer superqualidades a alguém que em nome da utopia socialista, ignorou todos os axiomas de justiça e ofereceu ao país o espectáculo da morte e da ruína que persiste até hoje? Que responderei a eles Neto? O Mesmo de sempre:
o Meu Neto é o POETA!
Sei que um deles - o entendido em poesia - ainda vai comentar da relação linear entre politica e poesia em Agostinho Neto…talvez ai eu fique sem comentários. Mas ainda assim, deixo no ar essa singela lembrança, essa singela homenagem a ti, para deleite da geração do meu Pai, da minha, e quem sabe mesmo da depois da minha, Sagrada Esperança!!

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Desconexa



... perderam-se as palavras, os sons, sobrou a cidade vazia e eu presa no labirinto do sentir, mergulhada na lágrima perdida, expressão de sua ausência em mim... 0:08 já é novo dia..."águias foram feitas para voar" ...

Sexta-feira, Agosto 31, 2007

Eu e Eu

Novamente as discordâncias do eu
[o EU de facto e o eu lírico
Mas sigo em frente
Fazendo de ti um terceiro eu
[o alter-ego, outro EU
Oculto no lirismo dos olhos, os teus

Dos meus, o misto de verdade e utopias
Presentes também no nosso viver
De esperanças tão conscientes,
Outras vezes antecipadoras

Onde os destroços de nós

Nos remetem a um tempo novo
Que é quase concreto, mas
Nos trascende.

Da paisagem do atlântico que nos divide,
O dueto fragmentado de mim
[de
você…
Ainda acorrentados a outros quereres,
[
necessários!

Mas insisto em querer-te
Em novos espaços, novas dimensões
Que não cabem em metros quadrados…

Mas levam a anulação do nosso EU
Desarreigado de preconceitos
E sem nuances culturais

Insisto em querer-te em outras dimensões
Onde a re-invenção de nós é realidade
E redescobre nossas mentes,

corpos...

Ansiosos do despropositado querer
Expresso na troca que conduz ao auge
E dissipa as discordâncias do EU


Mathaya

Sábado, Agosto 11, 2007

VISION


...fechou muito tarde as pálpebras na ânsia de ve-lo chegar. Não chegou! vencida pelo cansaço e pelo tempo, adormeceu. Poucas horas depois, a brecha da cortina deixa entrar o preguiçoso sol de cacimbo que namora-lhe o rosto, espreguiça-se de leve, vence a vontade de permanecer na cama e vai enfrentar o mundo, a vida, agora reduzida à urbe Luandensis. Na escravaninha os mesmos papéis de ontem: ...................... perto do meio dia um meeting anteriormente adiado, novas perspectivas, novos caminhos. Nos abraços de despedida o olhar desvia-se ás unhas - sem comentários- pensa em ir a um salão... mas fica somente pelo pensamento, a acção é adiada, o estómago pede alimento, o corpo pede descanço... enquanto este descança, a mente permanece em movimento, realimenta as idéias, os novos insights e faz até uma reflexão forçada de I Corintios 13:12. -
"Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente" - e deixou-se então vencer pelo sono... ela também é humana!!!!!

Quarta-feira, Agosto 01, 2007

LUBAVITCH


Vejo-me em tua porta, prostrada
Movida pelo profundo desejo
Um de meus eus critica-me
Mas o intenso querer contrapõe-se a razão
Quer sentir, transmitir, partilhar
A intensidade que é própria de tí
Sons da noite chegam-me aos ouvidos
Mas nada, nada me interessa
Ligo-me a outro compartimento de mim
E solfejo versos e notas soltas
De corpos que se quiseram indivisíveis
Em noites e dias da doce Lubavitch
Eu cada dia intensamente tua
Tú simplesmente meu sol
Feito de átomos e palpitações trémulas
No auge do querer, me descubro Só!
A frieza da noite invade-me o corpo, a alma
Não é nada original, mas dói, ah, como dói!
Meu incontrolável desejo digere o não
E é mais uma negaçao á Lubavitch…
Cabisbaixa subo os degraus da alma
E ainda no ardor do abandono e da solidão
Revejo-me em outro compartimento
A lembrança de ter estado à tua porta desvanece
E no santuário de mim, ressurge meu eu racional
Que leva-me então a compreesão
De que ainda será assim por muito tempo
Que ainda estou (estamos) In Metamorphosis,
Ainda estamos na “antesala” onde
E nos é servido o licor da esperança
A ESPERANÇA com seu poder de se realizar ou falhar ...

Lubavitch....

Terça-feira, Julho 24, 2007

ABSTINÊNCIA POÉTICA ESTÉTICA




Este ano estou nessa de ATITUDE, deixando para trás muita coisa, e abrançando todos os caminhos possíveis para qualidade de vida, paradoxalmente, o duo gastritre/asthma decidiram caminhar mais vigorosamente comigo, em atitude de desafio à minha ATITUDE. Dizem os mitos que café provoca/intensifica a gastrite, o que torna normal a surpresa e reprovação das pessoas ao me verem ingerir uma chávena atrás de outra. E pensam logo em vício/dependência. ...nunca me senti dependente muito menos viciada, apenas uma "habituada". Para quem não sabe: em um estudo recente observou-se que a cafeína não atua sobre as áreas do cérebro responsáveis pela recompensa, a motivação e a dependência da mesma forma que as anfetaminas e a cocaína. Também não parece haver relação entre os sintomas de abstinência experimentados por alguns consumidores de café, como dor de cabeça e letargia, e as quantidades diárias que eles consomem. (Nehlig, A). Médicos especialistas do aparelho digestivo tbm afirmam que não existe comprovação científica de que café provoque gastrite ou úlcera gástrica, mas é certo que altera a motilidade do trânsito gastrintestinal. Assim como o gindungo, o café é um irritante local que aumenta a secreção ácida. Os efeitos benéficos do café em casos de asma são conhecidos há mais de cem anos- que o digam os escoceses que usam-no no tratamento da asma desde 1859 . Pois bem a razão de minha asbtinência nada tem a ver com gastrite, asma ou qualquer falácia, tem a ver com éstica poética (rsss) meu poeta instrui-me a "...dar á humanidade os sorrios que ela nos pede..." Café altera o esmalte dos dentes, tornando o tom perolado em amarelo, e dentes amarelados impedem um bom e belo sorriso, ou no minímo oferecem um visão pouco estética! Reduzi a dose, e reduzi drásticamente, passei por momentos difíceis, fez-me muita falta aquele último de antes do sono... fase dura da abstinência! Mas agora estou melhor, ainda penso nele com intensidade, mas mais forte do que isso é o compromisso com ATITUDE, ATITUDE, ATITUDE. Não me lembro onde está meu copo térmico, não tenho mais em minha gaveta aquele instantáneo... agora estou em apenas um por semana, em nome dos sorrisos que a humanidade nos pede! Tomei-o hoje: suave, companheiro, preto, amargo mas prazeroso, e no último gole, aquela sensação de: até ao próximo em nome dos sorrisos que a humanidade nos pede!! Muito há ainda para ser estudado e descoerto em realção ao café e bem estar, pena que falar em investigação científica aqui na nossa terrinha é um sonho distante, nossos "especialistas" andam totalmente presos ao capital, ou distantes dele (aos que alimentam a vontade, mas faltam-lhes os meios) ai dão força aos mitos. até

Quarta-feira, Julho 18, 2007

BE STRONG AT CROSSROADS



As vezes é num abrir e fechar de olhos que nos damos conta que nosso castelo é de areia e pode ruir a qualquer momento, o ideal é não lamentar muita coisa, desculpar-se a si mesmo e aos outros sempre que for necessário, chorar quando as lágrimas não quiserem parar, reescutar pensamentos, palavras: Crossoroads of life !


CROSSROADS OF LIFE

"Sometimes, when I look back and think of all the
could-have-beens in my life,
I often wonder:
Did I make the right
choice....
Did I miss a road sign....
Am I on the right track....

C R O S S R O A D S.....
They happen all the time,
Saying
goodbye to some,
Choosing only one.
Letting go, holding on... settling
for now,
But facing what must come....

Yes, in life we all reach a
crossroad sometime.
We make painful decisions and take some risks
as we
pursue our dreams.

But one should not stay at the CROSSROADS too long.
For even the birds have to leave their nests sometime
& learn how to
fly.

Life's road is long & rough, and there are stretches
when
one has to do it all alone.

And should you meet the cross at the road,
be consoled.

Yes, more often than not, the road less traveled
will
surely bring you home.

Face the light and the shadow falls behind you.
Turn your back & the shadow stays in front of you.

Indeed, the
truth hurts,
but it will surely set you free.
The bitter pangs of
parting will give birth to
another moment called GROWING.

So grow
on..... until it's time for you to move on....
and face the crossroads
again,
knowing that God loves you and is in control of
everything.

Be strong at the CROSSROADS

Embrace the CROSS at the ROAD.
The Lord is at the cross, at the road,
at all your CROSSROADS......
(Author Unknown)

Quinta-feira, Junho 28, 2007

MUNDO MEU; MUNDO NOSSO



Ontem meus olhos não resistiram e encheram-se de lágrimas de saudades da minha Estrela Guia minha mamita querida,
Hoje eu voltei a chorar, não foi de saudade, foi de emoção, emoção de voltar ouvir a gravação original de mundo meu mundo nosso, quem me conhece e conviveu comigo no mínimo mais de 24 horas sabe, como naturalmente essa musiquinha de criança flúi em mim…

Quero ter um sonho longo e tão feliz
Perseguir nas chanas a lebre e a perdiz
E sentir que os animais são livres como eu
Crianças como eu sem medo como eu
Quero edificar um circo pra todos como eu
Sorrir cantar criar um mudo como o meu
Esse sonho lindo só a luz o coroar
Terra maravilha de bailados encantar
A felicidade sendo um bolo a repartir
Amor a dividir crianças a sorrir
Quero ser um entre todos os que devem sentir
Amor fraternidade no nosso porvir
Eu sou, nos somos pedras nesse mundo a levantar (??)
Aguas nessa chana bóias nesse mar
Sonho nesta noite em que ninguém mais quer sonhar

Um vastíssimo obrigado ao KK que me trouxe de volta essa relíquia da infância que me faz estar entre os que ainda querem sonhar!!!

Quinta-feira, Junho 14, 2007

CONSTELAÇÃO MERCÚRIO


Eu e o destino sobre o cais
Peito sufocado, asas á imaginação

O Eu atrevido ouve-me o soluçar
De bits e ritmos incertos
Dos corpos separados, constelações…

Eu no cais
Sem cheiro, sem toque, sem pele
Nem por isso menos intenso e belo
Esse desejo feito pingo de mercúrio

No céu a lua cheia e nua
Reflecte os repetitivos nauns ao desejo
Realidades feitas de distância
De saudade, mercúrio, mercúrio, mercúrio

E na tentativa de reter as gotas
Mãos Afrodite abrem-se no vazio

Fazendo-me vítima da libido do Eu
E viajo aos jardins intangíveis
Feitos possíveis pela imaginação

No cais

Eu, a distância, o medo

Um único medo: De mim!
Peito sufocado, asas á imaginação


Nas constelações bits e ritmos incertos
Eu Afrodite, mercúrio, mercúrio, mercúrio...


© A.Mathaya Junho/2007

Quinta-feira, Maio 24, 2007

NÓS E O NOSSO PETRÓLEO


O petróleo é nosso e a Sonangol também! como a praça é do povo e o céu é da andorinha.
(Qualquer semlhança com Castro LAves é "mera conscidência")


- Alô, Fala ai amiga, daqui é a Muiny das Europas!! como está a Banda?
- Olá ah quanto tempo!!!
- Nem posso falar muito amiga, diz-me: é verdade que a Sonangol vai ser privatizada?
- Que eu saiba não
- Epá estão aqui a dizer que vai as mãos de empresas estrangeiras
- Humm, o que sei é que abriu-se sim o país para o capital estrangeiro (isso não é de hoje) para a exploração do petróleo em águas profundas, (ultra profundas) afinal não temos capital nem tecnologia.- ah
- Olha fica tranquila ainda vale aquela lei Lei n.º13/78, de 26 de Agosto:
- Epá menos mal e ainda por cima o nossa Cabinda dá-se o luxo de variar em patamares acima do WTI- Ahahhaa, Já estás com “economes”??? Olha vou bazar, é que mal consegui dormir com essa da privatização da “Sona”
- Fique tranquila: O petróleo é nosso e a Sonangol também Do mesmo que a praça é do povo e o céu é da andorinha
-Epa fixe, ligo-te um outro dia!

Sexta-feira, Maio 18, 2007

CARO DIRECTOR



Caro Director, como de costume o garoto trouxe-me o jornal, dei-lhe KZ 500 e não me deu o troco – uma bela maneira de perpetuar nossa relação de compra e venda. Senhor Director, não é sobre o vendedor que desejo falar, é sobre o seu jornal, por sinal o único diário da capital, do país. Director não podia deixar de transmitir-lhe minha felicidade em relação a inovação de hoje: o Caderno Economia & Finanças, parabéns director, isso deveria acontecer há muito - afinal é assim em quase todos os grandes diários do mundo (o nosso JA é grande meu director!) – cansava-nos já aquela pequena página de economia, quase sempre trazendo mesmices: crescimento dos bancos, empresas telefónica, petrolíferas para variar um e outro lance da relação Angola-China (é o que está a dar!) e o sempre cantinho das taxas de cambio (de grande utilidade)
Director, não sei de quem foi a ideia inovadora, se sua ou do Editor, Parabéns! Apenas lamento o facto de não constar nenhum e-mail na ficha técnica, para eu poder então “emailar” minha satisfação e meu elogio! Meu caro director tive esperança de achar o e-mail do caderno na ficha técnica central, mas imagine: tem lá apenas um “e-mail centralizado” um tal de jornaldeangola@.... Director eu sou tão insistente e persistente que decidi ver o site do seu jornal: que surpresa meu caro director!!! Aquele envelopezinho de contacte-nos, escreva para nós, não funciona director!! Que tristeza meu director! Ah, eu ainda vi um tal de cartadoleitor@hot..., mas eu não pretendo reclamar dos buracos, da violência, da edel… eu queria somente fazer um elogio exclusivo ao seu editor quem com certeza não cabe em carta do leitor. Director, fiquei sinceramente sem alternativa e com uma grande pergunta: essa ausência de meios modernos que facilitem do contacto com o leitor é intencional? É um exercício voluntário de centralização e controle? Director eu prefiro que a resposta para todas as perguntas seja negativa, prefiro pensar que o JÁ ainda está a adaptar-se ao mundo da informação electrónica. Voltando ao caderno director, mais uma vez parabéns, tragam ao caderno as análises do admirável Alves da Rocha, e de outros pensologos da área, tragam estatísticas, números. Ah, antes que eu esqueça Director, são 16 folhas no caderno e 9 dedicadas a publicidade, (não será muito??) O JA já tem um sem número de classificados, necrologia, nosso caderno não precisava estar cheio disso novamente,!!! E uma última: a matéria sobre a queda livre do dólar é pontual, mas por favor não nos privem da tabela de câmbio. Bom fim de semana director! Ja que lhe não posso emailar, vou então blogar!

Quarta-feira, Maio 16, 2007

A MICROFISICA DOS (nosos) MAGNATAS DO PODER

Vou mandar-te de presente – como indirectamente me sugeriste - As 48 Leis Do Poder cujo autor não tenho em mente, talvez assim entendas um pouco a contrariedade que viste em minhas palavras, em relação a discussão sobre como o poder vai se exercendo e adquirindo aqui na terrinha, um pouco aquém de Maquiavel. [ assim quem sabe perpetúo o poder que tenho sobre ti ( perdoa!!) ]
Com o poder e pelo poder as pessoas deixam de ser elas mesmo e assumem novas identidades moldadas pela forma do poder e deixam tudo agir em volta do novo status. Falar dos nossos MAGNATAS DO PODER, é extrapolar o campo politico e considerar também o poder que se exerce e se adquire no quotidiano.
O poder os obriga a andar de fato e gravata dia e noite, em cerimonias oficias e em encontros informais, mesmo com a nossa Luanda 38º (bem vindo cacimbo!)
Nessa matéria dou meu voto aquele jornalista do “voto na matéria” e um ponto para aquele professor universitário que descobriu o homos angolensis suficientis, estes dois desfilam sem nenhum problema seus bibes africanos, negando-se quase sempre ao casaco e a gravata.
Para os magnatas do poder de minha terra é muito normal neles alterar a forma de se relacionar com o outro: facilmente respondem há um caloroso “olá há quanto tempo!” de um velho colega, por um frio “de quem se trata?”. Isso para não falar do aparentemente despropositado “De onde nos conhecemos?”
É de rir: um destes magnatas da nossa terra foi barrado a entrada de uma sala de conferências, quando querendo fazer-se valer do seu poder quis transgredir aos procedimentos normais de entrada, de nada ou quase nada lhe serviu o “sabes quem sou?” Naquela conferência valiam as regras pré estabelecidas e não o poder revestido de gravatas!

Mais grave que isso, é a servidão voluntária dos lambe botas do poder, dispostos a qualquer sacrifício para sustentar a proximidade ao poder e no intimo o desejo profundo de um dia serem o próprio poder.
Outra grande característica dos magnatas do poder é o pacto do auto-engano, não se deixam criticar e quando o permitem, fazem-no de maneira tão hipócrita, que o sincero que o fizer corre o risco de torna-se então, inimigo mortal do poder - esqueceram do que leram (se leram!) de Santo Agostinho: "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem"

O importante não é ter poder, é saber usa-lo, assim escreveu Foucault: como tal o poder não existe, existem sim relações práticas de poder!
Vou mandar-te amanhã cedo as 48 leis do poder, e considere-o sua -antecipada- prenda de aniversário.
Até breve.

Terça-feira, Abril 17, 2007

TPA( Tensão Pré Aniversário)



Minha vida estes dias transformou-se num verdadeiro festival de repetições, que não são somente as minhas mas as de muitos moradores de luanda e arredores, os mesmos buracos, a mesma escuridão, os mesmos depósitos vazios, as mesmas mentes incautas, cauterizadas… tudo isso nos leva a ser aquilo que Pinto de Andrade chamou de hommos angolensis… (ou algo parecido) mas não é destas generalidades que pretendo falar, meu Post hoje é sobre minha TPA que a esta hora já é simplesmente TA (tensão aniversarial) esse sentimento estranho que vai se apossando de mim na Glória dos meus 33 anos -uns insistem em dizer que são 29, 0utros 30, meus projenitores jamais errariam! - são gloriosos 33 -( a idade de Cristo) vindos de 1974.

Fragmentos? Muitos! Um sem número de momentos felizes intercalados de angústias, de gratificante euforia, com as coisas, momentos e pessoas que a vida me brindou, ainda brinda, uma dessas pessoas é meu Gurú, que participa de minhas angústias mas junta-se a mim também nas alegrias, na junção dos fragmentos, essa figura deliciosamente humana, com seus impedimentos, algumas vezes em maior escala que os meus...

Mas até nisso vejo glórias, pois a vida me tem ensinado a fazer da felicidade um sentimento duradouro, a encontrar essa tal felicidade em que cada circunstância, mesmo nas mais adversas, é isso... se algum dos leitores destas humildes palavras perguntar o que representam estes anos, certamente direi que nâo representam nada acabado, afinal ainda estou (estamos) em Metamorfose, ainda o juntar de pedaços, o desejo de ser, ainda a mesma inquietude... ainda a pergunta calada nas entrelinhas das repetições: o que faria Cristo em meus passos? ainda...

Terça-feira, Abril 10, 2007

MÃES DE MAIO (de Angola)

Foto praça de MAyo: K Winifred

Sábado, o primeiro do mês, 21:45, sobre a cama o vestido longo verde musgo (sim um vestido!), na mente a ideia de desistir da festa, aos poucos a ideia tornou-se consistente e o vestido de volta ao cantinho de sempre do guarda-roupas, … feliz com a desistência, ao som do “Nação Música” de Afra Sound Star curto os mais de 1 G de fotos , presente de K.Winifred, a minha “amiga without comments!!” que foi ver de perto a reunião de quinta feira das mães da praça de Mayo (Buenos Aires -Argentina)… nessa de arrumar o PC, uma bela conscidencia: encontrei MÃES DE MAIO, que só existe graças ao meu Gurú, que vez a outra preserva algum fragmento meu, -muitos deles foram-se com meu velho Toshiba ( não aprendi a lição do back-UP) – MÃES DE MAIO merece um post, ai vai:


M Ã E S DE M A I O
(De Angola)


É cedo demais para desistir!
É o clamor das mães por seus filhos
Na luta pela vida, pelo amor, Um direito!
Solidárias, decididas juntam-se a eles

Negam o direito enquanto abstracção
Buscam a essência do homem. Ser humano!
Sustentam-se em quimeras faraónicas
Na precariedade insolente do tempo

Da história retiram o imponente alento
Dos que sem posse e sem pompas
Limitados pela carne instigaram o amor
Deixando rastros e trilhas de sangue. Ódio!

Fogem do prazer descartado da libido
E o sepultam na sagacidade da alma
Da beleza de mulher e força de mãe
Apenas restam as marcas do tempo. Renúncia!

Em quimeras visitam os Mayombes
Kuymas, Késsuas e Kuanavales...
Tentam neles rebuscar sua essência. Sonho!
Mas ela se perdeu, aí não mais vive.

Cúmplices do tempo ainda buscam o direito
E é da recôndita sapiência da alma
Que ouvem o grito simultâneo de outros filhos:
“NÓS AINDA NÃO DESISTIMOS MÃE”. Esperança
!
©Ana Mathaya. In E.S 2002


“A semelhança das mães da Praça de Maio na Argentina, de nossa terra também se houve o clamor e a dor das mães, brigando pelo direito dos filhos, dos que ainda vivem, e daqueles cujos nomes a vida ofereceu ao anonimato e à história. Mas a própria história, um dia, far-se-á juiz do tempo, do direito, da vida...
...Ainda há esperança, e a esperança somos nós! MÃE ANGOLA!”

Terça-feira, Março 20, 2007

EM NOME DA LEI I


Perdeu o sono de madrugada e leu as 125 páginas de Memórias do Cárcere. Embrulhado em um roupão azul andou pela casa, apenas ouvia-se o tilintar do relógio na parede, e o leve ruido das chinelas sob o chão de madeira. Fixou o olhar no telefone e sem pestanejar discou 222..., após alguns segundos de espera, ao invés de um aló, surpreendido ouve a poesia de Manuel de Novas, na voz de Cesária Évora :


Mãe qu'tê'me na ventre


Dá-me nhá direito di nasce


Pai quande 'm nasce


Dá-me nhá direito di vivê....


a música o fez chorar, veio-lhe a memória a lembrança de como "em nome da lei" ela havia se tornado importante em sua vida... lembrou-se então do telefonema numa tarde de sábado, em como os sentimentos nele se misturaram a alegria de poder ser novamente Pai, a tristeza por não saber o que aconteceria depois daquilo... ainda perdido em pensamentos encostou-se no banco alto a beira da janela, e soltou o gancho do telefone... caminhou novamente até o quarto ao lado, vestiu-se e minutos depois já ao volante e com os olhos ainda marejados de lagrimas - aquela imagem em nada lembrava o Juiz sábio e sereno respeitadissimo por sua classe e por toda cidade. Através das portas de vidro do 513 da António Barreto via-se um grande relógio que marcava 4.30, empurrou-as de leve, ignorou o guarda que adormecia sob o balcão da recepção e entrou, proximo ao elevador uma frase escrita na perede: "Cada homem julga bem as coisas que conhece", desviou o olhar e premiu o botão do elevador, com o olhar fixo no espelho, reflectia a respeito da lei, pensava em seu papel de Juiz enquanto atendedor das necessidades do povo, mas atender necessidades nem sempre é garantir a felicidade deste povo [...] apesar de tudo : "que prevaleça a lei" falou em voz alta com o elevador ja parado no 11º andar. Noventa e dois Kg divididos em quase dois metros de altura moveram-se a passos largos em direcção ao final do corredor...

Segunda-feira, Março 12, 2007

Diálogos III ( Eu, Ela, Matemática &Vida)







Depois de uns dias sumida, novamente eu e Ela nas ruas da capital (Eugénio de Castro, J.Anchieta…Cabral Moncada) em mais um de nossos encontros sempre com um que de recomeço, de partilha, de cumplicidade. Sobre a chuva miúda andamos de mãos dadas, ela tentou voltar ao nosso último diálogo, mas eu não me vi confortável em faze-lo, minutos depois aproveitando a deixa de uma parede pinchada, passou então a falar de matemática. Falou-me de como os números a fascinavam, de como sempre gostara de matemática… eu olhei-a profundamente e confirmei: “…entendo, a matemática confunde-se contigo…” (connosco, falei em silêncio)
- Ah. Percebes?? - interreompeu-me- Óptimo, vês que como ela (a matemática) eu carrego comigo a angústia de não ser compreendida, mas por outro lado, a frieza e a lógica matemática vem me servindo de aliados… a matemática sempre me força aos pontos de descontinuidade, da minha vida com a de outros - veja bem- outros!! assim deixo de ser simples icógnita da mesquinha equação linear da vida...



Ela ainda falava, eu tentava compreende-la enquanto reflectia sobre a descontinuidade matemática.

Eu, também adepta dos números, comecei então a dizer que mais do que a complexidade matemática a vida é também poesia, são letras...


Antes mesmo de terminar minha fala, Ela forçou o rosto contra o meu e perto do meu ouvido disse: "...Adeus, um dia falo-te da Tragédia da Matemática"

...já sozinha, e ainda sob chuvisco, voltei ao começo do quarteirão e sentei-me frente a parede pintada, de olhos cravados na equação matématica, a voz dela martelava-me o pensamento:"... adeus, um dia falo-te da tragédia matemática, adeus, um dia..."



Quinta-feira, Março 01, 2007

DIALOGOS II (BLACKBIRD)



...hoje dialoguei com ela, como sempre me fascina e me intriga, e fascina muito, falou-me das bocas distintas que ja beijara, dos corpos diferentes que com ela testemunharam o nascer do sol, dos desejos incontrolávies, da fúria e da sedução, mas lá pelo meio do diálogo, falou-me que tudo acabava em solidão, que o desejo intimo nunca era satisfeito, esses corpos eram só corpos que não atingiam a alma, as bocas eram superfícies gélidas, apenas canal de fluídos, eles sempre querem o gozo momentaneo... Sentada ao meu lado ela ainda divagava em suas "memórias" e eu esforçava-me a ouvi-la, enquanto isso lembrei-me do CD que ontem comprei The Essential II, de Joe Cocker. Ela tinha o olhar sobre mim, resolvi então dizer algo, mas aproveitando-se do sinal vermelho, apressou-se a sair do carro - do mesmo jeito arriscado com que levava a vida -, ... eu continuei minha jornada, perdida em pensamentos, concentro-me entao em "bye bye blackbird" e penso em tí, penso com intensidade, penso nas n vez que o mar, o céu,a vida nos levaram para menos perto de nós... e junto com Joe vou singing low: "bye, bye blackbird...

Black up all my care and woe/ Here I go/ Singing low, Bye bye blackbird/Where somebody waits for me,Sugar's sweet, so is she
Bye bye Blackbird!No one here can love or understand me/Oh, what hard luck stories they all hand me,Make my bed and light the light/I'll be home late tonight/Blackbird bye bye
Pack up all my care and woe/Here I go/Singing low, Bye (bye) bye (bye) blackbird/Where somebody waits for me,Sugar's sweet, so is she/ Bye (bye) bye (bye) blackbird.
No one here can love or understand me/ Oh, what hard luck stories they all hand me,Make my bed, light that light/I'll be home late tonight/Blackbird...
Make my bed and light the light/I'll be home late tonight, Leave you bird jet in the sky/Toodle / Farewell!Bye bye!
We'll take the flying little blackbird bye!

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

GOTAS, GRAVATAS, MENINOS





Amantes ainda jemiam nos leitos
E os sós em sono refaziam sonhos
Gotas silenciosas envenenaram os tetos
E o céu tingiu-se de cinza e revolta

Descortina-se uma Luanda adormecida
Onde as águas fazem o verde mais verde

E ao povo dos subúrbios trazem o amargo fel

Uns se afogam outros se esvaíram

Enquanto isso de seus casulos
Despertam as poderosas gravatas
Rumo a honra que cede lugar a esperteza
Em nome do povo que jaz nas enchentes

Gotas silenciosas envenenam o chão
E o desfile das gravatas continua
Mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar

Elas se deleitam em sua esperteza

Lágrimas derramadas têm os meninos
Que de olhar distante, das águas curtem a força
Lágrimas sugadas pelas lembranças
Do que ontem foi seu habitat

Gotas insistem em doloroso veneno
Sós e amantes juntam-se aos meninos
E vivem o prelúdio de morte anunciada

Gotas são peste fome e mais miséria
E da esperteza das gravatas o alimento.

© A.Mathaya Janeiro de 07

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Diálogo I - A Viagem








A viagem: "real ou simbólica"? perguntaste-me ontem
eu, muda de palavras, não te soube responder
apenas insisti nos versos fragmentados
que afinal já estavam formados em mim.

Sabes tú e sei eu, que tudo em nós se confunde
ténue demais é a fronteira entre o simbolico

e o nosso real (vice-versa).
esse real que sempre nos foi impossível,

outras vezes traumático

hoje ao amanhecer, em prosa forjei a resposta
"a viagem é real, um real ontem simbólico"


O simbólico é da poesia, e nós não somos poesia
nós somos prosa, somos realidade,


o simbólico mata antecipadadamente
engole o prazer escondido na caminhada...

Há de facto simbolismo nas pontes quebradas
no desejo de voltar, nos fragmentos
Mas a Viagem é real...


Terça-feira, Dezembro 26, 2006

...É NATAL



Os raios do sol atravessam a cortina amarelo-ouro e namoram-me o rosto, no chão da cabeceira pedaços de vidro da taça que não resistiu ao vento…
· Na mente ainda ecoam as vozes da cantata que se estendeu pela madrugada

· Do porta retrato eu em outros tons… desvio o olhar de mim e concentro-o no relógio => 16:10 … estranha felicidade, poder dormir!

· O telefone toca insistentemente, é ela louca para dar sua opinião sobre o rascunho que ontem enviei,

· “Porque essa aposta na Fragmentação?” – pergunta

· Eu sou Mathaya, Mathaya é sinónimo de fragmentos.

· Após um e outro comentário mudamos de assunto e começamos então a falar de livros, não de economia nem de antropologia:

· ..falamos de poesia, ela disse-me que em sua última viagem à Europa comprara uns tantos clássicos, mas que ainda não entendera porque lhes chamavam clássicos, afinal o maior proveito que tirava deles era matar moscas…

· Falei da bienal de Luanda, de como me diverti na companhia de AA, dos livros que pagamos e não levamos connosco, santa distracção!

· Do calor insuportável no salão de exposição, que não tirou a simpatia do incansável Isabel… lembramos ainda dos dias em Gramado, das mochilas de livros na bienal de SP- compulsão!

· 110 minutos de conversa!! a amizade é algo espectacular, entre um liga e desliga, minutos antes do final lembramo-nos então do tradicional: FELIZ NATAL

· Ainda às voltas com o imaginário vem-me a gana de caminhar por Luanda, calço algo mais confortável, a tiracolo um skweeze e desço José Anchieta a baixo, vou digerindo então o cenário de uma Luanda esburacada e tranquila … é Natal!!!

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

AINDA A METAMORFOSE


Vi-a ontem pela marginal, com os olhos fixos no céu nublado, conhecendo-a como a conheço, estava diferente…
Observo-lhe o perfil: em seus olhos a melancolia, disfarçada em felicidade.
Quebro o evitável manto do silêncio e faço então a pergunta que me atormenta:
“..."?
Na resposta, um misto de ousadia e profecia…demasiadamente humana e totalmente avessa aos pecados da carne
Veio então o estado intermediário entre o quase tudo e o quase nada,
E somos pequenas demais para a imensidão da negra noite, da cidade, do pensamento, da dúvida…
O mundo ainda é a máquina em ruínas – uma maré de possibilidades…
[ paradoxo]
Me reconheço esquartejada pelo DEVIR, e a noite me engole, me digere, me transforma,
Vem então a lembrança, de que ainda estamos IN METAMORPHOSIS


Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

WATTS BYTES


Do cálice que juntos brindamos
a saudade

Das aguas onde nadamos
a nostalgia

De tudo que ficou por acontecer
a melancolia

Do quase nós destruído, algum remorso

De você, ainda a mesma saudade
enRAIZada em watts, bytes

De você, ainda as madrugadas
das bem ás mal dormidas

Eu de você, ainda a INTENSIDADE
ainda a mesma saudade...


Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

MY COFFEE TASTE BITTER TASTE!!



Todos os dias ao amanhecer tenho-te comigo, Duplo, forte, inspirador, fazes-me pensar intensamente, como poucas vezes penso em outro, ignoro tua origem e simplesmente deixo que me estimules, apraz-me sentir-te bruto e amargo, mas muitas vezes adocei-te para que também me adoce a vida, suave tomas conta de mim, e levas-me aos sonhos esquecidos… Lembro-me das vezes que te tive na solidão do anoitecer, com o olhar perdido no horizonte, quando de tudo, apenas restaram pedaços de mar, da Bahia da nossa Luanda, onde só tu e a negra gaivota, percebiam a solidão em meus olhos…
Sei das vezes que sofri, quando sofrível te tive, fruto da ingratidão da humanidade que acredita conhecer-te, quando quase nada sabe de ti, mas quanto a mim, tudo em ti me faz querer-te, querer-te quente como o verão nosso de cada dia, preto como a escura noite q anuncia um novo amanhecer, inspirador como o Amor…e volto a pensar em ti como poucas vezes penso em outro: MY COFFEE TASTE BITTER TASTE!!

Terça-feira, Novembro 28, 2006

SANTUÀRIO DE MIM




23.30 dirijo na escura Luanda, com destreza faço o cruzamento do José Pirão - sem semáforos a funcionar, é um salve-se quem poder. Aumenta a ansiedade em livrar-me do sapato que incomoda... finalmente estou no meu quarto, meu santuário... dizem que "para construir um santuário é preciso antes destruir um..." Eu não precisei fazer isso...
Mas aqui é meu santuário, onde curto o delírio verbal de Joseph Campbel, a erotização da palavra de IM, (de quem aguento com bom humor as provocações por meu actual estado (gorda)... aqui também me dedico apaixonadamente à preparação daquilo que tanto gosto: lecionar. Aqui meus livros, meu violão, e sobre a "maquina de lavar" o espaço vazio do meu teclado, (saudades!!) nesse vazio papeis amassados, dos poemas que escrevi quando me senti poeta, e busquei o sentido da vida no insignificante... aqui é meu santuário, onde me sinto novamente grande depois que as imtempéries do dia me diminuem, me cansam me fazem pequenina. Aqui eu relevo a criancice de uns, a inautenticidade de outros,daqui eu me elevo e acredito que Janeiro vem chegando,,, é também aqui, que sobre lençois brancos e bege escuro, as notas de Freedom vão se distribuindo nos compartimentos da mente enquanto as pálpebras fecham, na esperança de um novo amanhecer... que começa no STEP e BIKE - também objectos do meu Santuário

Terça-feira, Outubro 03, 2006

FRAGMENTOS



MATHAYA:FRAGMENTOS DE MIM, RETALHOS...ALGUMAS VEZES INCOERENTES, MAS, EM TODOS A CONSTÂNCIA DO MEU EU

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

QUE SERÁ DE MIM SE ME FALTARES (EPITÁFIOS)

Hoje a dor feriu a alma, o sofrimento ficou insuportável

Epitáfios: “inscrição sobre lápides tumulares, monumentos funerários ou elogio a um morto"

Hoje a Fuga desesperada de lágrimas,
Hoje as palavras perdidas do mausoléu de mim

Ainda hoje os meus EPITAFIOS, aos que amo, amei, quero bem,

Hoje, a reflexão sobre perdas, o pensamento nas ausências,
Nas formas protocolares dos elogios aos mortos,
Na bondade expressa nas lápides tumulares.

Hoje a lembrança de Job Milton em O Livro não autorizado dos Epitáfios:
“… que, de repente as lápides passariam a conter "verdades" conhecidas, mas não declaradas a respeito dos falecidos”
Hoje meu post aos especiais
Aos amigos , os de verdade, poucos, não projectados pelo tempo,
mas pelos momentos,
Meu hoje a KWinifred, minha amiga, minha irmã, que na diversidade encontramos unidade, a menina que eu aprendi a amar e aceitar do jeito que ela é…
ainda hoje o meu sentimento de carinho, compreensão e companheirismo, para que um dia, eu nao tenha de faze-lo em forma de Epitáfios/

Para vosso deleite e reflexão deixo EPITÁFIO (Titãs)

DEVIA TER AMADO MAIS
TER CHORADO MAIS
TER VISTO O SOL NASCER
DEVIA TER ARRISCADO MAIS
E ATÉ ERRADO MAIS
TER FEITO O QUE EU QUERIA FAZER
QUERIA TER ACEITADO -- AS PESSOAS COMO ELAS SÃO
CADA UM SABE A ALEGRIA -- E A DOR QUE TRAZ NO CORAÇÃO
O ACASO VAI ME PROTEGER
ENQUANTO EU ANDAR DISTRAÍDO
O ACASO VAI ME PROTEGER
ENQUANTO EU ANDAR DISTRAIDO
DEVIA TER COMPLICADO MENOS
TRABALHADO MENOS
TER VISTO O SOL SE PÔR...

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Solidao


SOLIDAO

Cai uma chuva grossa lá fora
Aos poucos agrava minha solidão
Busco no som de cada gota
A melodia certa para meu coração

Amanhã o céu vai nascer nublado
O frio vai inundar meu coração
Vou sair correndo pelo mundo
Em busca de conforto e proteção

A sombra de alguma alvenaria
Um homem vai me lembrar você
Vou fazer amor com euforia
Até sentir meu corpo queimar

E ao romper da aurora
O prazer ainda a me consumir
Vai restar somente o desprazer
De ao juramento ser desleal

Ao som do gotejar da chuva
Outra vez a solidão a me consumir
No silencio da lembrança
Apenas direi: Aquele homem não era você.


Ana Mathaya, Belém-PA 1997, in Exalar de Sentimetos

Terça-feira, Setembro 12, 2006

NETO, O POETA EM MIM

*Ana Mathaya( In JA 2004-09-19)
Ontem, em minha hora nostálgica, voltei aos anos da leda infância, aqueles anos em que a curiosidade me movia à leitura de qualquer coisa, bastavam ser letras. Aproveitando-me da distracção do meu velho pai, pegava então o "Textos Africanos" para, à sombra da bananeira, ir lendo e relendo. Da prosa à poesia, eu devorava as páginas, vivendo os meus sonhos de criança confundidos com o pregão da quitandeira: Minha senhora, laranja, laranjinha boa... Assim foi o meu primeiro contacto com Agosti-nho Neto: O POETA!Anos depois, vi-me impulsionada a iniciar uma corrida em busca do conhecimento da arte e da poesia feita no nosso negro continente e no mundo. Passei pela mão de professores cultos e inteligentes, tais como o ex-padre Pinto João Kiala, o saudoso professor Mesquita Lemos - este que leu como ninguém " O Choro de África"! - e ainda o meu próprio pai, com os seus sermões marcados pelo estilo poético.Com o passar dos anos, optei pelas ciências quânticas, mas, ainda assim, não deixei para trás o gosto pela palavra, pela poesia. Mergulhei no mundo sofrido de Florbela Espanca, na poesia geórgica de Virgílio e Milles, li Leopold Senghor, Drummond, Vinicius, Maymona, deleitei-me com as lamúrias do amigo Mayindu, conheci tantos outros poetas, mas, de tudo isso, a poesia de Neto foi a que mais me marcou. Sempre repeti os seus versos com prazer e incorporei as suas palavras na minha vivência. Como ele, brinquei nos arraiais ao meio dia, como ele, inventei um amigo: o Mussunda. E a ele escrevi vários versos, mesmo sabendo que Mussunda não os entenderia. Ainda na leda infância, como Neto, caminhei no mato e lá me deparei com o soldado desconhecido da humanidade, aquele de quem não se exigem glórias!!!Mas foi pensando n´alguma glória, que, como Neto, atravessei o mato, passei pela fronteira do asfalto e enfrentei o mundo e reinventei o meu desejo de ser, sempre confundida com a minha própria existência.O tempo passou, muita coisa mudou, tornei-me íntima de vários poetas e muito cedo vi-me provocada a escrevinhar os meus próprios poemas, mas a minha paixão pela poesia de Neto permaneceu intacta. E hoje, quando passo pelas ruas e vejo as homenagens ao político, é inevitável separá-lo do Poeta Imortal - o meu poeta - cujos versos atravessaram Kaxikane, passaram pelos bairros escuros dos pobres, cruzaram os Zaires e Calaharis e hoje se fazem presentes nos grandes centros de letras, no além mar. A poesia que um dia alimentou a esperança do guerrilheiro em busca da independência, hoje continua alimentando as esperanças de milhares de angolanos espalhados pelo mundo! Continua acariciando sensibilidades, continua a falar aos corações e dos mares e oceanos soa ardentemente o clamor,: "HAVEMOS DE VOLTAR!". E nós, nós voltamos África, voltamos Angola, voltamos para recriar pureza e justiça, voltamos para dar à humanidade os sorrisos que ela nos pede. Voltamos à terra que nos viu nascer e crescer. E quiçá, como Neto, o Poeta, não escrevamos todos juntos um poema solução: "...um poema que não sejam letras, mas sangue vivo em artérias pulsáteis de um universo matemático, e sejam astros cintilantes para calmas noites de invernos chuvosos e frios... amizade para corações odientos... cântico harmonioso para formosura dos homens..." das mu - lheres, das crianças!!!Assim tem sido minha existência. Trago Neto em mim, mais ainda: os seus caminhos poéticos! E hoje, quando Angola lembra o Guia Imortal, eu, com os olhos secos, recordo os meus sete aninhos e recrio Neto, o Poeta imortal. Aquele que, de Kaxikane, espalhou e continua espalhando poesia pelo mundo! Ao lado da memória do político, do médico, não menos importante, permanece e permanecerá a memória do POETA, o Meu Poeta: Agostinho Neto!!!!

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

TAKE IT EASY...I´M EASY


...a águia que confunde-se conosco, como ela nós não somos como apologistas de limitações, somos amantes da liberdade fragmentada e consciente
Take it easy …’cause I’m easy!!


Escrevo para falar da liberdade
Que novamente se apossa de mim
Do nostálgico soletrar da saudade
Que nosso ego ora preza ora despreza

Mas, é a expressão das incertezas
Que mais uma vez me atormenta
E atormenta cada pedaço em mim

Enquanto isso eu, eu suplico por ti
Nesse desejo de fazer do teu ego
Sangue de minhas próprias artérias

Mas nesta simbiose do querer
Persiste a nervura do paradoxo
Desse desejo muitas vezes desprezível...
Mesmo assim, eu insisto em querer

E soletro a dor que ainda sinto na veia
Já anestesiada pelo dia que morre
Carregando consigo a sensação de perda
Impotência... mesmo assim escrevo

Escrevo versos da saudosa ousadia
Incompreensível aos inocentes
Deleite para nós os inconsequentes

Nós, os apologistas da tal liberdade
Que nosso ego ora preza ora despreza
Mas eu, eu simplemente escrevo...

[Soletro ...]




AMathaya. BH 2004-05-16. 10:45 PM “Take it easy””