quinta-feira, maio 24, 2007

NÓS E O NOSSO PETRÓLEO


O petróleo é nosso e a Sonangol também! como a praça é do povo e o céu é da andorinha.
(Qualquer semlhança com Castro LAves é "mera conscidência")


- Alô, Fala ai amiga, daqui é a Muiny das Europas!! como está a Banda?
- Olá ah quanto tempo!!!
- Nem posso falar muito amiga, diz-me: é verdade que a Sonangol vai ser privatizada?
- Que eu saiba não
- Epá estão aqui a dizer que vai as mãos de empresas estrangeiras
- Humm, o que sei é que abriu-se sim o país para o capital estrangeiro (isso não é de hoje) para a exploração do petróleo em águas profundas, (ultra profundas) afinal não temos capital nem tecnologia.- ah
- Olha fica tranquila ainda vale aquela lei Lei n.º13/78, de 26 de Agosto:
- Epá menos mal e ainda por cima o nossa Cabinda dá-se o luxo de variar em patamares acima do WTI- Ahahhaa, Já estás com “economes”??? Olha vou bazar, é que mal consegui dormir com essa da privatização da “Sona”
- Fique tranquila: O petróleo é nosso e a Sonangol também Do mesmo que a praça é do povo e o céu é da andorinha
-Epa fixe, ligo-te um outro dia!

sexta-feira, maio 18, 2007

CARO DIRECTOR



Caro Director, como de costume o garoto trouxe-me o jornal, dei-lhe KZ 500 e não me deu o troco – uma bela maneira de perpetuar nossa relação de compra e venda. Senhor Director, não é sobre o vendedor que desejo falar, é sobre o seu jornal, por sinal o único diário da capital, do país. Director não podia deixar de transmitir-lhe minha felicidade em relação a inovação de hoje: o Caderno Economia & Finanças, parabéns director, isso deveria acontecer há muito - afinal é assim em quase todos os grandes diários do mundo (o nosso JA é grande meu director!) – cansava-nos já aquela pequena página de economia, quase sempre trazendo mesmices: crescimento dos bancos, empresas telefónica, petrolíferas para variar um e outro lance da relação Angola-China (é o que está a dar!) e o sempre cantinho das taxas de cambio (de grande utilidade)
Director, não sei de quem foi a ideia inovadora, se sua ou do Editor, Parabéns! Apenas lamento o facto de não constar nenhum e-mail na ficha técnica, para eu poder então “emailar” minha satisfação e meu elogio! Meu caro director tive esperança de achar o e-mail do caderno na ficha técnica central, mas imagine: tem lá apenas um “e-mail centralizado” um tal de jornaldeangola@.... Director eu sou tão insistente e persistente que decidi ver o site do seu jornal: que surpresa meu caro director!!! Aquele envelopezinho de contacte-nos, escreva para nós, não funciona director!! Que tristeza meu director! Ah, eu ainda vi um tal de cartadoleitor@hot..., mas eu não pretendo reclamar dos buracos, da violência, da edel… eu queria somente fazer um elogio exclusivo ao seu editor quem com certeza não cabe em carta do leitor. Director, fiquei sinceramente sem alternativa e com uma grande pergunta: essa ausência de meios modernos que facilitem do contacto com o leitor é intencional? É um exercício voluntário de centralização e controle? Director eu prefiro que a resposta para todas as perguntas seja negativa, prefiro pensar que o JÁ ainda está a adaptar-se ao mundo da informação electrónica. Voltando ao caderno director, mais uma vez parabéns, tragam ao caderno as análises do admirável Alves da Rocha, e de outros pensologos da área, tragam estatísticas, números. Ah, antes que eu esqueça Director, são 16 folhas no caderno e 9 dedicadas a publicidade, (não será muito??) O JA já tem um sem número de classificados, necrologia, nosso caderno não precisava estar cheio disso novamente,!!! E uma última: a matéria sobre a queda livre do dólar é pontual, mas por favor não nos privem da tabela de câmbio. Bom fim de semana director! Ja que lhe não posso emailar, vou então blogar!

quarta-feira, maio 16, 2007

A MICROFISICA DOS (nosos) MAGNATAS DO PODER

Vou mandar-te de presente – como indirectamente me sugeriste - As 48 Leis Do Poder cujo autor não tenho em mente, talvez assim entendas um pouco a contrariedade que viste em minhas palavras, em relação a discussão sobre como o poder vai se exercendo e adquirindo aqui na terrinha, um pouco aquém de Maquiavel. [ assim quem sabe perpetúo o poder que tenho sobre ti ( perdoa!!) ]
Com o poder e pelo poder as pessoas deixam de ser elas mesmo e assumem novas identidades moldadas pela forma do poder e deixam tudo agir em volta do novo status. Falar dos nossos MAGNATAS DO PODER, é extrapolar o campo politico e considerar também o poder que se exerce e se adquire no quotidiano.
O poder os obriga a andar de fato e gravata dia e noite, em cerimonias oficias e em encontros informais, mesmo com a nossa Luanda 38º (bem vindo cacimbo!)
Nessa matéria dou meu voto aquele jornalista do “voto na matéria” e um ponto para aquele professor universitário que descobriu o homos angolensis suficientis, estes dois desfilam sem nenhum problema seus bibes africanos, negando-se quase sempre ao casaco e a gravata.
Para os magnatas do poder de minha terra é muito normal neles alterar a forma de se relacionar com o outro: facilmente respondem há um caloroso “olá há quanto tempo!” de um velho colega, por um frio “de quem se trata?”. Isso para não falar do aparentemente despropositado “De onde nos conhecemos?”
É de rir: um destes magnatas da nossa terra foi barrado a entrada de uma sala de conferências, quando querendo fazer-se valer do seu poder quis transgredir aos procedimentos normais de entrada, de nada ou quase nada lhe serviu o “sabes quem sou?” Naquela conferência valiam as regras pré estabelecidas e não o poder revestido de gravatas!

Mais grave que isso, é a servidão voluntária dos lambe botas do poder, dispostos a qualquer sacrifício para sustentar a proximidade ao poder e no intimo o desejo profundo de um dia serem o próprio poder.
Outra grande característica dos magnatas do poder é o pacto do auto-engano, não se deixam criticar e quando o permitem, fazem-no de maneira tão hipócrita, que o sincero que o fizer corre o risco de torna-se então, inimigo mortal do poder - esqueceram do que leram (se leram!) de Santo Agostinho: "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem"

O importante não é ter poder, é saber usa-lo, assim escreveu Foucault: como tal o poder não existe, existem sim relações práticas de poder!
Vou mandar-te amanhã cedo as 48 leis do poder, e considere-o sua -antecipada- prenda de aniversário.
Até breve.

terça-feira, abril 17, 2007

TPA( Tensão Pré Aniversário)



Minha vida estes dias transformou-se num verdadeiro festival de repetições, que não são somente as minhas mas as de muitos moradores de luanda e arredores, os mesmos buracos, a mesma escuridão, os mesmos depósitos vazios, as mesmas mentes incautas, cauterizadas… tudo isso nos leva a ser aquilo que Pinto de Andrade chamou de hommos angolensis… (ou algo parecido) mas não é destas generalidades que pretendo falar, meu Post hoje é sobre minha TPA que a esta hora já é simplesmente TA (tensão aniversarial) esse sentimento estranho que vai se apossando de mim na Glória dos meus 33 anos -uns insistem em dizer que são 29, 0utros 30, meus projenitores jamais errariam! - são gloriosos 33 -( a idade de Cristo) vindos de 1974.

Fragmentos? Muitos! Um sem número de momentos felizes intercalados de angústias, de gratificante euforia, com as coisas, momentos e pessoas que a vida me brindou, ainda brinda, uma dessas pessoas é meu Gurú, que participa de minhas angústias mas junta-se a mim também nas alegrias, na junção dos fragmentos, essa figura deliciosamente humana, com seus impedimentos, algumas vezes em maior escala que os meus...

Mas até nisso vejo glórias, pois a vida me tem ensinado a fazer da felicidade um sentimento duradouro, a encontrar essa tal felicidade em que cada circunstância, mesmo nas mais adversas, é isso... se algum dos leitores destas humildes palavras perguntar o que representam estes anos, certamente direi que nâo representam nada acabado, afinal ainda estou (estamos) em Metamorfose, ainda o juntar de pedaços, o desejo de ser, ainda a mesma inquietude... ainda a pergunta calada nas entrelinhas das repetições: o que faria Cristo em meus passos? ainda...

terça-feira, abril 10, 2007

MÃES DE MAIO (de Angola)

Foto praça de MAyo: K Winifred

Sábado, o primeiro do mês, 21:45, sobre a cama o vestido longo verde musgo (sim um vestido!), na mente a ideia de desistir da festa, aos poucos a ideia tornou-se consistente e o vestido de volta ao cantinho de sempre do guarda-roupas, … feliz com a desistência, ao som do “Nação Música” de Afra Sound Star curto os mais de 1 G de fotos , presente de K.Winifred, a minha “amiga without comments!!” que foi ver de perto a reunião de quinta feira das mães da praça de Mayo (Buenos Aires -Argentina)… nessa de arrumar o PC, uma bela conscidencia: encontrei MÃES DE MAIO, que só existe graças ao meu Gurú, que vez a outra preserva algum fragmento meu, -muitos deles foram-se com meu velho Toshiba ( não aprendi a lição do back-UP) – MÃES DE MAIO merece um post, ai vai:


M Ã E S DE M A I O
(De Angola)


É cedo demais para desistir!
É o clamor das mães por seus filhos
Na luta pela vida, pelo amor, Um direito!
Solidárias, decididas juntam-se a eles

Negam o direito enquanto abstracção
Buscam a essência do homem. Ser humano!
Sustentam-se em quimeras faraónicas
Na precariedade insolente do tempo

Da história retiram o imponente alento
Dos que sem posse e sem pompas
Limitados pela carne instigaram o amor
Deixando rastros e trilhas de sangue. Ódio!

Fogem do prazer descartado da libido
E o sepultam na sagacidade da alma
Da beleza de mulher e força de mãe
Apenas restam as marcas do tempo. Renúncia!

Em quimeras visitam os Mayombes
Kuymas, Késsuas e Kuanavales...
Tentam neles rebuscar sua essência. Sonho!
Mas ela se perdeu, aí não mais vive.

Cúmplices do tempo ainda buscam o direito
E é da recôndita sapiência da alma
Que ouvem o grito simultâneo de outros filhos:
“NÓS AINDA NÃO DESISTIMOS MÃE”. Esperança
!
©Ana Mathaya. In E.S 2002


“A semelhança das mães da Praça de Maio na Argentina, de nossa terra também se houve o clamor e a dor das mães, brigando pelo direito dos filhos, dos que ainda vivem, e daqueles cujos nomes a vida ofereceu ao anonimato e à história. Mas a própria história, um dia, far-se-á juiz do tempo, do direito, da vida...
...Ainda há esperança, e a esperança somos nós! MÃE ANGOLA!”

terça-feira, março 20, 2007

EM NOME DA LEI I


Perdeu o sono de madrugada e leu as 125 páginas de Memórias do Cárcere. Embrulhado em um roupão azul andou pela casa, apenas ouvia-se o tilintar do relógio na parede, e o leve ruido das chinelas sob o chão de madeira. Fixou o olhar no telefone e sem pestanejar discou 222..., após alguns segundos de espera, ao invés de um aló, surpreendido ouve a poesia de Manuel de Novas, na voz de Cesária Évora :


Mãe qu'tê'me na ventre


Dá-me nhá direito di nasce


Pai quande 'm nasce


Dá-me nhá direito di vivê....


a música o fez chorar, veio-lhe a memória a lembrança de como "em nome da lei" ela havia se tornado importante em sua vida... lembrou-se então do telefonema numa tarde de sábado, em como os sentimentos nele se misturaram a alegria de poder ser novamente Pai, a tristeza por não saber o que aconteceria depois daquilo... ainda perdido em pensamentos encostou-se no banco alto a beira da janela, e soltou o gancho do telefone... caminhou novamente até o quarto ao lado, vestiu-se e minutos depois já ao volante e com os olhos ainda marejados de lagrimas - aquela imagem em nada lembrava o Juiz sábio e sereno respeitadissimo por sua classe e por toda cidade. Através das portas de vidro do 513 da António Barreto via-se um grande relógio que marcava 4.30, empurrou-as de leve, ignorou o guarda que adormecia sob o balcão da recepção e entrou, proximo ao elevador uma frase escrita na perede: "Cada homem julga bem as coisas que conhece", desviou o olhar e premiu o botão do elevador, com o olhar fixo no espelho, reflectia a respeito da lei, pensava em seu papel de Juiz enquanto atendedor das necessidades do povo, mas atender necessidades nem sempre é garantir a felicidade deste povo [...] apesar de tudo : "que prevaleça a lei" falou em voz alta com o elevador ja parado no 11º andar. Noventa e dois Kg divididos em quase dois metros de altura moveram-se a passos largos em direcção ao final do corredor...

segunda-feira, março 12, 2007

Diálogos III ( Eu, Ela, Matemática &Vida)







Depois de uns dias sumida, novamente eu e Ela nas ruas da capital (Eugénio de Castro, J.Anchieta…Cabral Moncada) em mais um de nossos encontros sempre com um que de recomeço, de partilha, de cumplicidade. Sobre a chuva miúda andamos de mãos dadas, ela tentou voltar ao nosso último diálogo, mas eu não me vi confortável em faze-lo, minutos depois aproveitando a deixa de uma parede pinchada, passou então a falar de matemática. Falou-me de como os números a fascinavam, de como sempre gostara de matemática… eu olhei-a profundamente e confirmei: “…entendo, a matemática confunde-se contigo…” (connosco, falei em silêncio)
- Ah. Percebes?? - interreompeu-me- Óptimo, vês que como ela (a matemática) eu carrego comigo a angústia de não ser compreendida, mas por outro lado, a frieza e a lógica matemática vem me servindo de aliados… a matemática sempre me força aos pontos de descontinuidade, da minha vida com a de outros - veja bem- outros!! assim deixo de ser simples icógnita da mesquinha equação linear da vida...



Ela ainda falava, eu tentava compreende-la enquanto reflectia sobre a descontinuidade matemática.

Eu, também adepta dos números, comecei então a dizer que mais do que a complexidade matemática a vida é também poesia, são letras...


Antes mesmo de terminar minha fala, Ela forçou o rosto contra o meu e perto do meu ouvido disse: "...Adeus, um dia falo-te da Tragédia da Matemática"

...já sozinha, e ainda sob chuvisco, voltei ao começo do quarteirão e sentei-me frente a parede pintada, de olhos cravados na equação matématica, a voz dela martelava-me o pensamento:"... adeus, um dia falo-te da tragédia matemática, adeus, um dia..."



quinta-feira, março 01, 2007

DIALOGOS II (BLACKBIRD)



...hoje dialoguei com ela, como sempre me fascina e me intriga, e fascina muito, falou-me das bocas distintas que ja beijara, dos corpos diferentes que com ela testemunharam o nascer do sol, dos desejos incontrolávies, da fúria e da sedução, mas lá pelo meio do diálogo, falou-me que tudo acabava em solidão, que o desejo intimo nunca era satisfeito, esses corpos eram só corpos que não atingiam a alma, as bocas eram superfícies gélidas, apenas canal de fluídos, eles sempre querem o gozo momentaneo... Sentada ao meu lado ela ainda divagava em suas "memórias" e eu esforçava-me a ouvi-la, enquanto isso lembrei-me do CD que ontem comprei The Essential II, de Joe Cocker. Ela tinha o olhar sobre mim, resolvi então dizer algo, mas aproveitando-se do sinal vermelho, apressou-se a sair do carro - do mesmo jeito arriscado com que levava a vida -, ... eu continuei minha jornada, perdida em pensamentos, concentro-me entao em "bye bye blackbird" e penso em tí, penso com intensidade, penso nas n vez que o mar, o céu,a vida nos levaram para menos perto de nós... e junto com Joe vou singing low: "bye, bye blackbird...

Black up all my care and woe/ Here I go/ Singing low, Bye bye blackbird/Where somebody waits for me,Sugar's sweet, so is she
Bye bye Blackbird!No one here can love or understand me/Oh, what hard luck stories they all hand me,Make my bed and light the light/I'll be home late tonight/Blackbird bye bye
Pack up all my care and woe/Here I go/Singing low, Bye (bye) bye (bye) blackbird/Where somebody waits for me,Sugar's sweet, so is she/ Bye (bye) bye (bye) blackbird.
No one here can love or understand me/ Oh, what hard luck stories they all hand me,Make my bed, light that light/I'll be home late tonight/Blackbird...
Make my bed and light the light/I'll be home late tonight, Leave you bird jet in the sky/Toodle / Farewell!Bye bye!
We'll take the flying little blackbird bye!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

GOTAS, GRAVATAS, MENINOS





Amantes ainda jemiam nos leitos
E os sós em sono refaziam sonhos
Gotas silenciosas envenenaram os tetos
E o céu tingiu-se de cinza e revolta

Descortina-se uma Luanda adormecida
Onde as águas fazem o verde mais verde

E ao povo dos subúrbios trazem o amargo fel

Uns se afogam outros se esvaíram

Enquanto isso de seus casulos
Despertam as poderosas gravatas
Rumo a honra que cede lugar a esperteza
Em nome do povo que jaz nas enchentes

Gotas silenciosas envenenam o chão
E o desfile das gravatas continua
Mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar

Elas se deleitam em sua esperteza

Lágrimas derramadas têm os meninos
Que de olhar distante, das águas curtem a força
Lágrimas sugadas pelas lembranças
Do que ontem foi seu habitat

Gotas insistem em doloroso veneno
Sós e amantes juntam-se aos meninos
E vivem o prelúdio de morte anunciada

Gotas são peste fome e mais miséria
E da esperteza das gravatas o alimento.

© A.Mathaya Janeiro de 07

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Diálogo I - A Viagem








A viagem: "real ou simbólica"? perguntaste-me ontem
eu, muda de palavras, não te soube responder
apenas insisti nos versos fragmentados
que afinal já estavam formados em mim.

Sabes tú e sei eu, que tudo em nós se confunde
ténue demais é a fronteira entre o simbolico

e o nosso real (vice-versa).
esse real que sempre nos foi impossível,

outras vezes traumático

hoje ao amanhecer, em prosa forjei a resposta
"a viagem é real, um real ontem simbólico"


O simbólico é da poesia, e nós não somos poesia
nós somos prosa, somos realidade,


o simbólico mata antecipadadamente
engole o prazer escondido na caminhada...

Há de facto simbolismo nas pontes quebradas
no desejo de voltar, nos fragmentos
Mas a Viagem é real...


terça-feira, dezembro 26, 2006

...É NATAL



Os raios do sol atravessam a cortina amarelo-ouro e namoram-me o rosto, no chão da cabeceira pedaços de vidro da taça que não resistiu ao vento…
· Na mente ainda ecoam as vozes da cantata que se estendeu pela madrugada

· Do porta retrato eu em outros tons… desvio o olhar de mim e concentro-o no relógio => 16:10 … estranha felicidade, poder dormir!

· O telefone toca insistentemente, é ela louca para dar sua opinião sobre o rascunho que ontem enviei,

· “Porque essa aposta na Fragmentação?” – pergunta

· Eu sou Mathaya, Mathaya é sinónimo de fragmentos.

· Após um e outro comentário mudamos de assunto e começamos então a falar de livros, não de economia nem de antropologia:

· ..falamos de poesia, ela disse-me que em sua última viagem à Europa comprara uns tantos clássicos, mas que ainda não entendera porque lhes chamavam clássicos, afinal o maior proveito que tirava deles era matar moscas…

· Falei da bienal de Luanda, de como me diverti na companhia de AA, dos livros que pagamos e não levamos connosco, santa distracção!

· Do calor insuportável no salão de exposição, que não tirou a simpatia do incansável Isabel… lembramos ainda dos dias em Gramado, das mochilas de livros na bienal de SP- compulsão!

· 110 minutos de conversa!! a amizade é algo espectacular, entre um liga e desliga, minutos antes do final lembramo-nos então do tradicional: FELIZ NATAL

· Ainda às voltas com o imaginário vem-me a gana de caminhar por Luanda, calço algo mais confortável, a tiracolo um skweeze e desço José Anchieta a baixo, vou digerindo então o cenário de uma Luanda esburacada e tranquila … é Natal!!!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

AINDA A METAMORFOSE


Vi-a ontem pela marginal, com os olhos fixos no céu nublado, conhecendo-a como a conheço, estava diferente…
Observo-lhe o perfil: em seus olhos a melancolia, disfarçada em felicidade.
Quebro o evitável manto do silêncio e faço então a pergunta que me atormenta:
“..."?
Na resposta, um misto de ousadia e profecia…demasiadamente humana e totalmente avessa aos pecados da carne
Veio então o estado intermediário entre o quase tudo e o quase nada,
E somos pequenas demais para a imensidão da negra noite, da cidade, do pensamento, da dúvida…
O mundo ainda é a máquina em ruínas – uma maré de possibilidades…
[ paradoxo]
Me reconheço esquartejada pelo DEVIR, e a noite me engole, me digere, me transforma,
Vem então a lembrança, de que ainda estamos IN METAMORPHOSIS


segunda-feira, dezembro 18, 2006

WATTS BYTES


Do cálice que juntos brindamos
a saudade

Das aguas onde nadamos
a nostalgia

De tudo que ficou por acontecer
a melancolia

Do quase nós destruído, algum remorso

De você, ainda a mesma saudade
enRAIZada em watts, bytes

De você, ainda as madrugadas
das bem ás mal dormidas

Eu de você, ainda a INTENSIDADE
ainda a mesma saudade...


quarta-feira, dezembro 06, 2006

MY COFFEE TASTE BITTER TASTE!!



Todos os dias ao amanhecer tenho-te comigo, Duplo, forte, inspirador, fazes-me pensar intensamente, como poucas vezes penso em outro, ignoro tua origem e simplesmente deixo que me estimules, apraz-me sentir-te bruto e amargo, mas muitas vezes adocei-te para que também me adoce a vida, suave tomas conta de mim, e levas-me aos sonhos esquecidos… Lembro-me das vezes que te tive na solidão do anoitecer, com o olhar perdido no horizonte, quando de tudo, apenas restaram pedaços de mar, da Bahia da nossa Luanda, onde só tu e a negra gaivota, percebiam a solidão em meus olhos…
Sei das vezes que sofri, quando sofrível te tive, fruto da ingratidão da humanidade que acredita conhecer-te, quando quase nada sabe de ti, mas quanto a mim, tudo em ti me faz querer-te, querer-te quente como o verão nosso de cada dia, preto como a escura noite q anuncia um novo amanhecer, inspirador como o Amor…e volto a pensar em ti como poucas vezes penso em outro: MY COFFEE TASTE BITTER TASTE!!

terça-feira, novembro 28, 2006

SANTUÀRIO DE MIM




23.30 dirijo na escura Luanda, com destreza faço o cruzamento do José Pirão - sem semáforos a funcionar, é um salve-se quem poder. Aumenta a ansiedade em livrar-me do sapato que incomoda... finalmente estou no meu quarto, meu santuário... dizem que "para construir um santuário é preciso antes destruir um..." Eu não precisei fazer isso...
Mas aqui é meu santuário, onde curto o delírio verbal de Joseph Campbel, a erotização da palavra de IM, (de quem aguento com bom humor as provocações por meu actual estado (gorda)... aqui também me dedico apaixonadamente à preparação daquilo que tanto gosto: lecionar. Aqui meus livros, meu violão, e sobre a "maquina de lavar" o espaço vazio do meu teclado, (saudades!!) nesse vazio papeis amassados, dos poemas que escrevi quando me senti poeta, e busquei o sentido da vida no insignificante... aqui é meu santuário, onde me sinto novamente grande depois que as imtempéries do dia me diminuem, me cansam me fazem pequenina. Aqui eu relevo a criancice de uns, a inautenticidade de outros,daqui eu me elevo e acredito que Janeiro vem chegando,,, é também aqui, que sobre lençois brancos e bege escuro, as notas de Freedom vão se distribuindo nos compartimentos da mente enquanto as pálpebras fecham, na esperança de um novo amanhecer... que começa no STEP e BIKE - também objectos do meu Santuário

terça-feira, outubro 03, 2006

FRAGMENTOS



MATHAYA:FRAGMENTOS DE MIM, RETALHOS...ALGUMAS VEZES INCOERENTES, MAS, EM TODOS A CONSTÂNCIA DO MEU EU

segunda-feira, setembro 18, 2006

QUE SERÁ DE MIM SE ME FALTARES (EPITÁFIOS)

Hoje a dor feriu a alma, o sofrimento ficou insuportável

Epitáfios: “inscrição sobre lápides tumulares, monumentos funerários ou elogio a um morto"

Hoje a Fuga desesperada de lágrimas,
Hoje as palavras perdidas do mausoléu de mim

Ainda hoje os meus EPITAFIOS, aos que amo, amei, quero bem,

Hoje, a reflexão sobre perdas, o pensamento nas ausências,
Nas formas protocolares dos elogios aos mortos,
Na bondade expressa nas lápides tumulares.

Hoje a lembrança de Job Milton em O Livro não autorizado dos Epitáfios:
“… que, de repente as lápides passariam a conter "verdades" conhecidas, mas não declaradas a respeito dos falecidos”
Hoje meu post aos especiais
Aos amigos , os de verdade, poucos, não projectados pelo tempo,
mas pelos momentos,
Meu hoje a KWinifred, minha amiga, minha irmã, que na diversidade encontramos unidade, a menina que eu aprendi a amar e aceitar do jeito que ela é…
ainda hoje o meu sentimento de carinho, compreensão e companheirismo, para que um dia, eu nao tenha de faze-lo em forma de Epitáfios/

Para vosso deleite e reflexão deixo EPITÁFIO (Titãs)

DEVIA TER AMADO MAIS
TER CHORADO MAIS
TER VISTO O SOL NASCER
DEVIA TER ARRISCADO MAIS
E ATÉ ERRADO MAIS
TER FEITO O QUE EU QUERIA FAZER
QUERIA TER ACEITADO -- AS PESSOAS COMO ELAS SÃO
CADA UM SABE A ALEGRIA -- E A DOR QUE TRAZ NO CORAÇÃO
O ACASO VAI ME PROTEGER
ENQUANTO EU ANDAR DISTRAÍDO
O ACASO VAI ME PROTEGER
ENQUANTO EU ANDAR DISTRAIDO
DEVIA TER COMPLICADO MENOS
TRABALHADO MENOS
TER VISTO O SOL SE PÔR...

sexta-feira, setembro 15, 2006

Solidao


SOLIDAO

Cai uma chuva grossa lá fora
Aos poucos agrava minha solidão
Busco no som de cada gota
A melodia certa para meu coração

Amanhã o céu vai nascer nublado
O frio vai inundar meu coração
Vou sair correndo pelo mundo
Em busca de conforto e proteção

A sombra de alguma alvenaria
Um homem vai me lembrar você
Vou fazer amor com euforia
Até sentir meu corpo queimar

E ao romper da aurora
O prazer ainda a me consumir
Vai restar somente o desprazer
De ao juramento ser desleal

Ao som do gotejar da chuva
Outra vez a solidão a me consumir
No silencio da lembrança
Apenas direi: Aquele homem não era você.


Ana Mathaya, Belém-PA 1997, in Exalar de Sentimetos

terça-feira, setembro 12, 2006

NETO, O POETA EM MIM

*Ana Mathaya( In JA 2004-09-19)
Ontem, em minha hora nostálgica, voltei aos anos da leda infância, aqueles anos em que a curiosidade me movia à leitura de qualquer coisa, bastavam ser letras. Aproveitando-me da distracção do meu velho pai, pegava então o "Textos Africanos" para, à sombra da bananeira, ir lendo e relendo. Da prosa à poesia, eu devorava as páginas, vivendo os meus sonhos de criança confundidos com o pregão da quitandeira: Minha senhora, laranja, laranjinha boa... Assim foi o meu primeiro contacto com Agosti-nho Neto: O POETA!Anos depois, vi-me impulsionada a iniciar uma corrida em busca do conhecimento da arte e da poesia feita no nosso negro continente e no mundo. Passei pela mão de professores cultos e inteligentes, tais como o ex-padre Pinto João Kiala, o saudoso professor Mesquita Lemos - este que leu como ninguém " O Choro de África"! - e ainda o meu próprio pai, com os seus sermões marcados pelo estilo poético.Com o passar dos anos, optei pelas ciências quânticas, mas, ainda assim, não deixei para trás o gosto pela palavra, pela poesia. Mergulhei no mundo sofrido de Florbela Espanca, na poesia geórgica de Virgílio e Milles, li Leopold Senghor, Drummond, Vinicius, Maymona, deleitei-me com as lamúrias do amigo Mayindu, conheci tantos outros poetas, mas, de tudo isso, a poesia de Neto foi a que mais me marcou. Sempre repeti os seus versos com prazer e incorporei as suas palavras na minha vivência. Como ele, brinquei nos arraiais ao meio dia, como ele, inventei um amigo: o Mussunda. E a ele escrevi vários versos, mesmo sabendo que Mussunda não os entenderia. Ainda na leda infância, como Neto, caminhei no mato e lá me deparei com o soldado desconhecido da humanidade, aquele de quem não se exigem glórias!!!Mas foi pensando n´alguma glória, que, como Neto, atravessei o mato, passei pela fronteira do asfalto e enfrentei o mundo e reinventei o meu desejo de ser, sempre confundida com a minha própria existência.O tempo passou, muita coisa mudou, tornei-me íntima de vários poetas e muito cedo vi-me provocada a escrevinhar os meus próprios poemas, mas a minha paixão pela poesia de Neto permaneceu intacta. E hoje, quando passo pelas ruas e vejo as homenagens ao político, é inevitável separá-lo do Poeta Imortal - o meu poeta - cujos versos atravessaram Kaxikane, passaram pelos bairros escuros dos pobres, cruzaram os Zaires e Calaharis e hoje se fazem presentes nos grandes centros de letras, no além mar. A poesia que um dia alimentou a esperança do guerrilheiro em busca da independência, hoje continua alimentando as esperanças de milhares de angolanos espalhados pelo mundo! Continua acariciando sensibilidades, continua a falar aos corações e dos mares e oceanos soa ardentemente o clamor,: "HAVEMOS DE VOLTAR!". E nós, nós voltamos África, voltamos Angola, voltamos para recriar pureza e justiça, voltamos para dar à humanidade os sorrisos que ela nos pede. Voltamos à terra que nos viu nascer e crescer. E quiçá, como Neto, o Poeta, não escrevamos todos juntos um poema solução: "...um poema que não sejam letras, mas sangue vivo em artérias pulsáteis de um universo matemático, e sejam astros cintilantes para calmas noites de invernos chuvosos e frios... amizade para corações odientos... cântico harmonioso para formosura dos homens..." das mu - lheres, das crianças!!!Assim tem sido minha existência. Trago Neto em mim, mais ainda: os seus caminhos poéticos! E hoje, quando Angola lembra o Guia Imortal, eu, com os olhos secos, recordo os meus sete aninhos e recrio Neto, o Poeta imortal. Aquele que, de Kaxikane, espalhou e continua espalhando poesia pelo mundo! Ao lado da memória do político, do médico, não menos importante, permanece e permanecerá a memória do POETA, o Meu Poeta: Agostinho Neto!!!!

sexta-feira, setembro 01, 2006

TAKE IT EASY...I´M EASY


...a águia que confunde-se conosco, como ela nós não somos como apologistas de limitações, somos amantes da liberdade fragmentada e consciente
Take it easy …’cause I’m easy!!


Escrevo para falar da liberdade
Que novamente se apossa de mim
Do nostálgico soletrar da saudade
Que nosso ego ora preza ora despreza

Mas, é a expressão das incertezas
Que mais uma vez me atormenta
E atormenta cada pedaço em mim

Enquanto isso eu, eu suplico por ti
Nesse desejo de fazer do teu ego
Sangue de minhas próprias artérias

Mas nesta simbiose do querer
Persiste a nervura do paradoxo
Desse desejo muitas vezes desprezível...
Mesmo assim, eu insisto em querer

E soletro a dor que ainda sinto na veia
Já anestesiada pelo dia que morre
Carregando consigo a sensação de perda
Impotência... mesmo assim escrevo

Escrevo versos da saudosa ousadia
Incompreensível aos inocentes
Deleite para nós os inconsequentes

Nós, os apologistas da tal liberdade
Que nosso ego ora preza ora despreza
Mas eu, eu simplemente escrevo...

[Soletro ...]




AMathaya. BH 2004-05-16. 10:45 PM “Take it easy””