quinta-feira, abril 17, 2008

… metafórica, reflexiva e um pouco nostálgica, amante da madrugada e do som, que hoje é o da chuva num concerto de uma melodia contínua em uma só nota. Junta-se a melodia do locutor de rádio, este, actor de insónia involuntária, e lembra-me então que já é novo dia, por sinal o meu dia!
Nostálgica da velha infância, quando sem bolo nem velinhas, havia a oração em família, onde carinhosamente ouvia-se “Deus Pai, abençoe esta miúda” (Minha Mãe!)… e o tempo passou… chegou a hora de partir, e parti na base do dito de um sábio velho replicada por meu Pai “ filhos são como barcos, no porto estão seguros, mas foram feitos para ganhar o mar..”. Parti na conquista de outros mares. Ao passar pelas estações, o Inverno foi sempre o mais impiedoso, um rasgador de velas, desestabilizador de bússola...mas ainda assim segui forte e guerreira, velejando pelos mares, afinal, vivia sob efeito de “Deus Pai, abençoe esta miúda” e a bênção era contínua, mesmo nas tempestades...
… chegou um novo tempo, o da intensidade plena, de um aprendizado involuntário, mas necessário! Com ele, as perguntas que se calaram em mim, pelo simples facto de não saber lidar com as respostas…
Dizem que para nos sentirmos completos é preciso ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro: arvores plantei algumas, as que resistiram, estão perdidas pelas florestas da vida, livros são projectos concebidos e com back ups na memória de Pcs, filho alguma vez o concebi na alma, mas tão logo floresceu o abortei, esperando então o momento certo, da concepção dupla: de corpo e alma!
Enquanto isso, busco a plenitude em outros estares, um deles é essa companhia atraente e viciante feito meu mar, como parte de mim, sem nessa redução, deixar de ser de quem sempre fui (de mim!).
É mais um ano e, sou hoje o que construí (ainda a construir) ao longo da vida: sonhos, decepções e medos, eu mesmo os determinei, e o que alguns chamam de sucesso, eu o conquistei com persistência (ainda há muito por preservar e reconquistar), as lágrimas e o sofrimento foram merecidos e fizeram-me (fazem-me) crescer e aprender…
...6:17 - lá fora, ainda a música tímida da chuva, que agora faz orquestra com as buzinas lembrando-me que é quase labour hour.
o locutor de insónia involuntária, já substituído por outro diuturno, e eu… sempre igual a mim, e começa então o festival (festival???): happy birthday…

3 comentários:

Anónimo disse...

....para min ana nunca morrerá
estatá sempre presente impregnando o ambiente e......

Dulce

MESUMAJIKUKA disse...

Ana,
Grande reflexão.
Beijo
Canhanga

ANNA MATHAYA disse...

Obriga Dulce, my sweet sista!!! Tarei viva pra vc, hoje e sempre!!

Canhanga outro beijo pra vc!!! enquanto vivermos seremos sempre chamados á reflexão!!