terça-feira, abril 10, 2007

MÃES DE MAIO (de Angola)

Foto praça de MAyo: K Winifred

Sábado, o primeiro do mês, 21:45, sobre a cama o vestido longo verde musgo (sim um vestido!), na mente a ideia de desistir da festa, aos poucos a ideia tornou-se consistente e o vestido de volta ao cantinho de sempre do guarda-roupas, … feliz com a desistência, ao som do “Nação Música” de Afra Sound Star curto os mais de 1 G de fotos , presente de K.Winifred, a minha “amiga without comments!!” que foi ver de perto a reunião de quinta feira das mães da praça de Mayo (Buenos Aires -Argentina)… nessa de arrumar o PC, uma bela conscidencia: encontrei MÃES DE MAIO, que só existe graças ao meu Gurú, que vez a outra preserva algum fragmento meu, -muitos deles foram-se com meu velho Toshiba ( não aprendi a lição do back-UP) – MÃES DE MAIO merece um post, ai vai:


M Ã E S DE M A I O
(De Angola)


É cedo demais para desistir!
É o clamor das mães por seus filhos
Na luta pela vida, pelo amor, Um direito!
Solidárias, decididas juntam-se a eles

Negam o direito enquanto abstracção
Buscam a essência do homem. Ser humano!
Sustentam-se em quimeras faraónicas
Na precariedade insolente do tempo

Da história retiram o imponente alento
Dos que sem posse e sem pompas
Limitados pela carne instigaram o amor
Deixando rastros e trilhas de sangue. Ódio!

Fogem do prazer descartado da libido
E o sepultam na sagacidade da alma
Da beleza de mulher e força de mãe
Apenas restam as marcas do tempo. Renúncia!

Em quimeras visitam os Mayombes
Kuymas, Késsuas e Kuanavales...
Tentam neles rebuscar sua essência. Sonho!
Mas ela se perdeu, aí não mais vive.

Cúmplices do tempo ainda buscam o direito
E é da recôndita sapiência da alma
Que ouvem o grito simultâneo de outros filhos:
“NÓS AINDA NÃO DESISTIMOS MÃE”. Esperança
!
©Ana Mathaya. In E.S 2002


“A semelhança das mães da Praça de Maio na Argentina, de nossa terra também se houve o clamor e a dor das mães, brigando pelo direito dos filhos, dos que ainda vivem, e daqueles cujos nomes a vida ofereceu ao anonimato e à história. Mas a própria história, um dia, far-se-á juiz do tempo, do direito, da vida...
...Ainda há esperança, e a esperança somos nós! MÃE ANGOLA!”

8 comentários:

Olho Atento disse...

Desistir? Nunca!
Ainda bem que as mulheres africanas de Angola estão em "pedra e cal"Parar é morre ( disse-me um dia uma Zungueira).
Bj

King Rescova disse...

Escrever é eternizar, eternizar é flutuar no espaço e no tempo. Flutuar é para ti ajudar Angola a reencontrar-se.
Rescova

Anónimo disse...

Lindo e gostei muito, continue que as maes de Angola merecem! Kandandu
Namibiano Ferreira

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Queria pedir-lhe autorizacao para publicar este seu poema no meu blog Cores & Palavras. Parabens pelo blog e poesia, kandandu
Namibiano Ferreira

ANA MATHAYA disse...

Namibiano, obrigada pela visita. ta autorizado a publicar o MAES DE MAIO, que afinal são as nossas valorosas MÂES! Mas lembre sempre de não ocultar a autoria ©Mathaya.

Abraços e volte sempre

Anónimo disse...

o poema da Anna é sem duvida a tradução mais honesta e independente, da vida e historia das mães africanas.... a injustiça retratada, o sentimento transcrito e a visão realista, outorgam a Anna, legitimidade social para debruçar-se sobre o assunto. pela forma simples e directa com que escreve e toca-nos... para instituições de direito., os meus sinceros votos de reflexão, para juntos atribuir-mos a mãe africana e sobretudo a angolana o valor que ela merece. OSVALDO GRAÇA-JORNALISTA

Menina do Rio disse...

A semelhança das mães da Praça de Maio junta-se com de tantas mães que tem seus filhos arrancados da vida, pelas mais diversas circunstâncias. Vejo aqui a dor das mães que perdem seu filhos para o tráfico insano que corrompe desde os mais pequenos, arrastando-os para a morte anónima num país de injustiças e desigualdades.
Sinto o sangrar de seus corações de mães, porque um filho por mais que pertença ao mundo, é sempre um pedaço de nosso ventre, nossa carne.

Mães africanas. argentinas, meninas
mães que em seus ventres trazem rebentos
A cada uma é dada sua dor, sua sina
a algumas, alegria e a tantas, sofrimento

Mãe é guerreira, é fada, é fera,
é mulher de fé e força sem igual!


Anna, fico lisonjeada pelo teu comentário e me faltam até as palavras...

Obrigada pela tua visita
Eu me chamo Verônica, embora seja conhecida por Menina do Rio. Tenho duas filhas lindas e sou cheia de defeitos, mas tens em mim uma irmã

Um beijo na tua alma

Menina do Rio disse...

Em tempo...
O meu blog principal é o "Momentos de vida" e estou levando o teu link comigo para lá. Beijinhos