segunda-feira, julho 06, 2009

DIALOGOS III

…o verão ficou algures, aqui é inverno, chuvoso e violento, eu indefesa e sem protecção…do outro lado da vida -!!!- de olhar firme, andar imponente em cena surge meu doce e estranho Juiz -outra determinaçao de mim - a tal protecção para o inverno que me assola. Nos seus olhos a pergunta que não quer calar:
e sua paixão pelo inverno ?

Como nunca o fiz antes confesso então, que via de regra não me correspondem os objectos do meu amor. Terno compassivo e com um misto de autoridade sentencia:
Se me amas siga-me…
cabisbaixa opto pela indiferença – como seguir-te? se ainda falta tudo, e tudo o que sabe a tanto, se ainda falta a mistura explosiva que faz a caldeira alimentar vagão a vagão, andar e ganhar o mundo …
Se me amas siga-me, insiste meu eu extraordinário
- como te seguir? Se ainda faltam os orgasmos, não os subjectivos causados pelo olhar, faltam os de corpo, de pele, de palavras murmuradas entre apertos e gemidos…
Se me amas siga-me,
Como desistir agora? depois de dares-me a liberdade de poder ser um Eu livre da fuga voraz da fútil tentação, o que me rendeu mais conhecimento de mim, mas conhecimento da necessidade (in)voluntária do profundo querer … Porque seguir-te se ainda é hora de ousar, não em outras possibilidades, mas no reinventar o já inventado
Se me amas siga-me
Guardião de mim, não me instas que te siga, ainda é hora de reexercitar o cérebro e decifrar o me querer ambíguo. Eu sou você e estamos juntos, numa pureza transcendeste e me proteges e me entendes, e me correspondes, mas eu sou desejo, não dos que levam a alma a loucura mas ao bem, ao belo, ao justo, a correspondência possível…as flores…

2 comentários:

Kimangola disse...

...me parece mais um género de cacimbo daqueles que se entranham nos próprios ossos...
...já no antigamente se falava de "estar cacimbado" falando também da luta/interacção do eu com o outro.

..."O Eu é uma palavra interessante, formada num contexto socialmente muito mais ambíguo do que se pode supor. A raíz original da palavra inglesa self é se ou seu.Temos tendência para pensar no nosso eu como a única criação totalmente singular que existe na natureza, embora isto não seja assim. A singularidade é a característica de tal modo comum nos seres vivos que acaba por não ter nada de singular"...-da obra "a medusa e o caracol" de Lewis Thomas.

Não veja no meu post algo de Professoral ou de querer ensinar "algo" ao Seu Eu, mas sim uma pretensão desligada de percorrer a distância entre o Meu e o Seu.

xaxuaxo

ANNA MATHAYA disse...

porque meu EU ainda é indefinido, e está em contínua construção,fico tranquila em caminhar entre um novo aprendizado de um nobre professor e a pretensão desligada de percorrer a distância entre dois eus distintos! um Xaxuaxo!