domingo, fevereiro 01, 2009



...é madrugada, ainda estou aqui...

quarta-feira, janeiro 21, 2009

WORKLOVER


...imitando-lhe o gesto ao inves de e-mail, enviou uma carta pelo correio, e nela disse que não voltaria, pois agora o destino se cumpria no poema de Paulo, que diz que: " Para ser mais feliz tem que ser em Angola" ... abro mão do conforto urbano do primeiro mundo, e fico aqui com gente que é minha gente, e encaro a grande possibilidade de reinventar a vida, refazer sonhos, ... aqui trabalho árduamente e com dedicação, mas acima de tudo, muito prazer! Hoje o trabalho não é fuga, é diversão, e apesar das insuficiências daqui , sinto-me caminhar de mãos dadas com a leveza da vida, o amanhã ainda é incerto, mas será de grandes possibilidades, e será aqui..."

Leslye Worklover

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terça-feira, dezembro 23, 2008

Em plena época do .com, e dos @, Leslye rcebeu uma carta à moda antiga, envelope selado, entregue pelo carteiro - dizem que seu verdadeiro nome não é Leslye- mas que importa??? A carta já suja e empoeirada, quase ninguem mais ia checar a caixa postal. Na leveza das roupas cruzou a maginal, inclinada sobre o que restava de um banco de pedra abriu o envelope e per correu o olhar sobre as letras pretas gravadas em papel branco, antes mesmo de terminar, caiu na gargalhada e como se ele a estivesse vendo, respondeu em jeito de poesia cantada:

...bastava que visses
estes miúdos simples
Saídos de becos e lixeiras
Mas que com garra e talento
Fazem o novo Hino de Angola
Bastava isso e um pouco mais
Para então entenderes
Porque não mais a ti voltei

segunda-feira, dezembro 01, 2008

CARNEIROS...

Um mar de coincidências,
Um desejo oculto á espreita…
Sal e sol que viram lua,
de uma paixão inesperada
Um beijo que cala os tons da noite,
Corpos que se doam em som harmónico
e a madrugada é feita de marcas
da tatuagem corrosiva
que fica, fascina, marca, amadurece….
[Carneiro….

sábado, novembro 15, 2008

- Até disseram que a professora não tem problemas com o interior, que gosta de estrada e de outros ventos...
- É... talvez
- Saimos e fazemos "trabalho de campo": Luanda, Cunene, Lubango, Luanda: Taag, estrada, um mini motor e estrada novamente.
- Óptimo, aliás fantástico!
Horas depois, muitas horas depois: gelo nas veias,
- esse mini motor!!! Mas, tudo bem, aliás…
- aliás o que????
- Percebido, claro, caiu, mas também dizem que forçou o piloto a manobras impróprias para mostrar suas propriedades a amigos
- hummm, isso é especulação, quem viu??? Caixa Preta? Ahahahah, não existe e se existe não acharam….
-Mas a professora tem medo??- Medo eu? Não... quer dizer
Então: Mochila nas costas, pé na estrada

quinta-feira, novembro 13, 2008

NÃO MAIS EU

Quando não mas for eu
Me desfarei de ti
E seguirei o curso da vida à solo

Quando não mas for eu
Serei a nulidade
Rumo ao incerto fragmentado

Longe do apego que escraviza
[martiriza…

Quando não mas for eu
Viverei sem a dor
Da não-aceitação do ser eu

Seguirei um novo caminho
Liberta da auto-piedade
[ da autocomiseração
E serei então livre!

Livre da realidade fabricada
Livre da insanidade do eu
[em ti
Quando eu não for mas eu!...

sábado, novembro 08, 2008


Caolo, Lubango, Huila 19 graus, céu nublado- Paz, tranquilidade e um verde acizentado... é isso, o resto é fazer da vida uma linda melódia, mesmo a solo,

quarta-feira, outubro 08, 2008

...


00:50 despediu-me, mas no ar ficou o adeus pendente, irresponsável mas maduro... antes mesmo de abraçar o macio da colcha, reclino-me à Janela e vejo uma Lubavitch de céu escuro e meio nublado que parece também adormecer da lida do dia... do alto da torre observo-lhe o caminhar, da escuridão me acena (??), lenta e vagarosamente segue seu rumo, sem testemunhas, apenas eu e um policial que cochila em pé...Entre nós, nenhuma mágoa, somente o pretérito eco dos traços sagrados que viram palavras... é madrugada!

terça-feira, setembro 02, 2008

In METHAMORPHOSIS III



Dias de verme, noites de dor e ansiedade
O tempo não para, não para o querer em mim

Do estilo passado restou o disfarce
De meu fraco poder em ti, a tatuagem
Do absurdo e da opressão do mundo, o desespero
De mim, um pouco mais de sabedoria, autoconhecimento
Da dor da mudança nenhuma obsessão, nenhuma culpa…
Em tudo, o desejo de voltar a lagartear
E tudo são possibilidades tremendamente reais!
Em ti, ou na estranha Lubavitch…

sábado, junho 28, 2008


... ao entardecer, novamente no cais, sentada e profundamente reflexiva, chegara por acaso a Lubavitch, mas sua permanência na cidade-ainda que por pouco tempo - não era por acaso. Sabe-se em Metamorphose, mas com conhecimento profundo de sí, daí a razão de de nada prometer, o fundamento da promessa pode ser frágil e perder-se no que ainda há para caminhar, viver, amar... Na memória refaz o cenário da partida: disfazem-se em promessas, e o mundo, dela espera reciprocidade, audaciosa, expressa sentimento sem nada prometer...

sábado, junho 07, 2008

LUBAVITCH II

Fotografia:Lucas C. Arte de Mathaya
É cacimbo, de volta a Lubavitch, já fria e pouco acolhedora, como sempre foi desde que a conhecí: aqui e ali um som festeiro, nos cantos e carros escuros corpos sem pudor entregues aos prazeres da carne, do outro lado do oceano, o poeta faz esperar a poesia, e afoga a nostalgia em repetidos e intermináveis goles de courvosier. Ao lado do poeta, dezenas de expatriados-trabalham arduamente durante a semana, e seu retorno financeiro os obriga a serem quase os únicos frequentadores dos points do cais. Assim é em Lubavicth: do lado mais alto da cidade, o discurso militarista foi substituído por outro que, apesar de duvidoso, renova nos citadinos esperanças já há muito envelhecidas. Enquanto isso, eu me alimento de sentires de um tempo que foi e ainda é… de entre eles meus quase-relacionamenos, alguns deles deixaram cicatrizes que ainda voltam a doer quando chega o cacimbo. Na caminhada me dou conta que não vou só, caminha comigo o velho Juiz (não juiz velho!) que também vive as mesmas perturbações. Como em outros tempos, nos damos as mãos e permito-me embebedar por tamanha sabedoria e simplicidade, de quem despiu as vestes de magistrado, é mostra-se simplesmente homem, humano, ele que como alguns de nós tem por Lubavitch alguma estima, cidade dos nossos quase relacionamentos!. Diferente de muitos, ele sempre os viveu - e vive -com muita intensidade:
- Uma das coisas que me completa e preenche, é a coragem de falar (contigo) abertamente de nossos amores e quase-amores. Enquanto não (nos) voltamos a amar, vivemos os amores um do outro e isso é bem mais compensador que alimentar cicatrizes.
As palavras do Juiz me surpreendem, com elas um arrepio percorre-me o corpo e a alma. Ele, no alto de sua inteligência - e como em outras vezes - lê-me o pensamento e antecipa-se: desembrulha um sorriso e junta-se a mim num longo e terno abraço, que oferece calor ao cacimbo já anunciado. Mais uma vez sinto aquele velho sentimento de quere-lo sangue de minhas artérias. Porque???? tantas desilusões, mas ai estava ele, apoiado em si mesmo, em Lubavitch…
Amanhã, talvez dividiremos a mesma poltrona, de volta então ao nosso mundo real…longe da fria e amada Lubavitch, e tálvez como em outra viagem, ele me segrede ao ouvído: honey It´s not easy when we have to let things go, when we all have to make hard decisions and give up of some things that you love!!

sábado, maio 03, 2008





… ganhou um Organza da Givenchy
que despertou nela outros sentires
trazendo de volta o querer do amor
que se alimenta de cheiro e toque,
mas a vida madura, a maturidade,
obriga-a a aceitar o amor que suporta renúncia
e se alimenta de saudadeMercúrio!

domingo, abril 20, 2008

DAÍ A RAZÃO DA MINHA SAUDADE!

...toda vez que ganhas o céu, resta-me a cidade vazia, hoje, preenchida por uma mutamba anoitecida e escura, palco da lua cheia namoradeira, que tenta mostrar-se entre o Vernon e o que virá a ser o Zimbo. No meu peito, só o lamento por não poder resgistrar o cenário para a posteridade (por onde andam nossas sony, samsungs????).
...depois do lamento plagio-te: "emocionante a tarefa de querer, gostosa a arte de ter, necessária a arte de estar no cenário e manter o cenário. Daí esta minha saudade"
A tua saudade é decididamente também minha! Até a volta.

sábado, abril 19, 2008

YESTERDAY


... um sábado como outro qualquer, a comtemplar a magnitude do ser (que ser?) que gira em torno do inexplicável, mas me provoca, me completa.. blá, blá... é a tal corriqueira SÍNTESE DE MÚLTIPLAS DETERMINAÇÕES...
I believe in yesterday...

quinta-feira, abril 17, 2008

… metafórica, reflexiva e um pouco nostálgica, amante da madrugada e do som, que hoje é o da chuva num concerto de uma melodia contínua em uma só nota. Junta-se a melodia do locutor de rádio, este, actor de insónia involuntária, e lembra-me então que já é novo dia, por sinal o meu dia!
Nostálgica da velha infância, quando sem bolo nem velinhas, havia a oração em família, onde carinhosamente ouvia-se “Deus Pai, abençoe esta miúda” (Minha Mãe!)… e o tempo passou… chegou a hora de partir, e parti na base do dito de um sábio velho replicada por meu Pai “ filhos são como barcos, no porto estão seguros, mas foram feitos para ganhar o mar..”. Parti na conquista de outros mares. Ao passar pelas estações, o Inverno foi sempre o mais impiedoso, um rasgador de velas, desestabilizador de bússola...mas ainda assim segui forte e guerreira, velejando pelos mares, afinal, vivia sob efeito de “Deus Pai, abençoe esta miúda” e a bênção era contínua, mesmo nas tempestades...
… chegou um novo tempo, o da intensidade plena, de um aprendizado involuntário, mas necessário! Com ele, as perguntas que se calaram em mim, pelo simples facto de não saber lidar com as respostas…
Dizem que para nos sentirmos completos é preciso ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro: arvores plantei algumas, as que resistiram, estão perdidas pelas florestas da vida, livros são projectos concebidos e com back ups na memória de Pcs, filho alguma vez o concebi na alma, mas tão logo floresceu o abortei, esperando então o momento certo, da concepção dupla: de corpo e alma!
Enquanto isso, busco a plenitude em outros estares, um deles é essa companhia atraente e viciante feito meu mar, como parte de mim, sem nessa redução, deixar de ser de quem sempre fui (de mim!).
É mais um ano e, sou hoje o que construí (ainda a construir) ao longo da vida: sonhos, decepções e medos, eu mesmo os determinei, e o que alguns chamam de sucesso, eu o conquistei com persistência (ainda há muito por preservar e reconquistar), as lágrimas e o sofrimento foram merecidos e fizeram-me (fazem-me) crescer e aprender…
...6:17 - lá fora, ainda a música tímida da chuva, que agora faz orquestra com as buzinas lembrando-me que é quase labour hour.
o locutor de insónia involuntária, já substituído por outro diuturno, e eu… sempre igual a mim, e começa então o festival (festival???): happy birthday…

segunda-feira, abril 14, 2008

Na madrugada inconscientemente vens tú dizer-me que vives a nostalgia, esquecida nas cartas manuscritas, do tempo em que e-mails eram o futuro... sensata rendo-me ao momento, mas descubro que para dizer-te, nada mais tenho... e o momento não se eterniza... mas fica o tributo ás coisas boas, também as más - que curiosamente marcaram menos que as boas- e continuaremos sendo parte de nós, sem deixarmos de ser nós, só porque somos humanos... Dont Give Up!!!

quarta-feira, abril 02, 2008

“FEITA(S) PARA VOAR…”


A Chuva deu tréguas e descortinou-se um entardecer luandino de ruas inundadas e de esgotos esquecidos, mas não se ouve o ruído das águas o que se ouve é o ensurdecedor som de buzinas, parece uma orquestra desafinada. Caminharam pausadamente sobre o que resta da calçada a muito transformada em estacionamento, até alcançarem o fim (ou começo?) da marginal. Com bancos de área a roubar o velho cenário que remetia os olhares ao mar, acharam um cantinho debaixo da torre do relógio, e enquanto ela organizava os rascunhos, divertiram-se rindo da ultima do J.Luís Mendonça “tuji makers” (in JA 30/03/08). Sem mais rodeios partiram para a discussão do texto:
ELE: então criança que titulo sugeres?
ELA: “Feitas para voar…”
ELE: sabes que eu nunca entendi muito bem essa tua frase das águias. Não te esqueças, mais do que tudo, elas são predadoras...serás também?
ELA: Serei? Provavelmente, com algumas diferenças! Predadores são concebidos para realizar uma missão: preservar a mãe natureza, e são perfeitamente adaptados a realização da tarefa para qual são concebidos,
ELE: Quais as diferenças?
ELA:A imperfeição e a impiedade, predadores funcionam como maquinas perfeitamente reguladas e quase sempre cumprem a missão de maneira impiedosa, as aguais fazem parte destas maquinas implacáveis e sumptuosas concebidas para caça, mas apesar disso elas não tem vida própria, estão para uma finalidade,
Ele: e a sua missão?
ELE: Mais do que missão um desafio: Manter-me aqui no topo da cadeia, e lutar contra o único predador de mim: o homem! Vencer o que me ameaça e constrange: os sepulcros animais e desérticos que insistem em tomar conta de nós…

ELE: “De Nós?” ah percebo …Sem comentários!


… e sem mais comentários ele recolheu os manuscritos, com olhar interrogativo fez uma leitura dinâmica, como presa a fugir do predador afastou-se …
ELA (em pensamento): a única solução viável para este desafio é não fugir… Até. Mestre!!

sexta-feira, março 21, 2008







…depois de amar,
a angústia
e a tentativa de rimar palavras puras
que dissessem sem lágrimas
isso que hoje sinto,
mas,
na ausência delas,
apenas o silencio,
e essa insistência em dizer teu nome,
novamente
MERCÚRIO!!…

segunda-feira, março 17, 2008

SAINDO DA ROTINA ( Weekend at WAKU-KUNGO)

…ainda anestesiada pela ímpar lembrança de ter rasgado as estradas do país numa super máquina. Ver chegar a noite no campo e uma meia-lua que insiste em namorar a torre da igrejinha esquecida no cume da montanha... na madrugada, emoções confumdem-se entre o sonho e a realidade, o eterno e o efémero… ao amanhecer, um céu chuvoso com cadência de gotas que molham o chão... um pouco surpresa, prendo-me no vago desassossego de meu íntimo. Ao som das gotas, junta-se o canto despercebido de um pássaro... talvez morar na cidade chega a ser um desperdício de tempo - reflicto - mas também não me vejo como gente do campo, mas aqui, pelo menos o cenário é recíproco às necessidades da alma…


YEP, DONT GIVE UP!!!



sexta-feira, fevereiro 29, 2008

...MY LIFE IS NOT MY OWN

You can say I´am a dreamer, but when I wake, you can't break my spirit, it's my dreams you take...


míuda!!

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

CASTLE HAVEN, CAIS DE QU4TRO, MIÚDA!!




…acordou distraída de tudo, sempre com aquele pensamentinho: “odeio trabalhar”, mas, somente no pensamento, porque a realidade faz o mundo pensar que ama trabalhar. Sob o esticar das cordas de Jonatham Butller- sua nova paixão – pega estrada e acelera fundo. No escritório espera-lhe um velho conhecido, cada vez mais velho – o tempo não perdoa! Sorri ao ver-lhe, e como sempre, perde-se em lamentações, diz que odeia a actual estética de corrupção dos engravatados do poder – como se eles não existissem há tanto tempo! - admira as esculturas da sala, e faz da dona parte delas, enche-a de elogios, esquece-lhe os defeitos e fala de suas falsas virtudes. Confiante lança então o convite: almoçamos hoje? A indesejada resposta vem costumeira e divertida: tenho n relatórios para terminar e não posso me dar ao luxo de sair para almoçar e o tránsito não ajuda. Insistente repete o convite e lembra de outros almoços, jantares,- mas parece um museu de inúteis vivências do passado- pensa a escultura e insiste na negativa. Vencido, despede-se. Ela folga então de felicidade por agora poder concentrar-se e trabalhar longe do nostálgico do passado… dedicadamente mergulha ao trabalho até que:
Ele: alooo, estás bem miúda? Sabes pá, estou num trânsito infernal,
Ela: Relaxe q isso já faz parte de nós
Ele: miúda tens ideia do que fazer para restaurar a velha ideia de amor?
Ela: por agora não, mas prometo pensar, respondo-te durante o jantar
Ele: isto é um convite? Se é…
Ela: Cais de quatro, 20:00hrs
As luzes mornas de Luanda iluminavam a Baía dando-lhe um ar namoradeiro não visível durante o dia. Encostada ao cais, aprecia o mar calmo enquanto espera pelo míuda. Para sua surpresa, na mesa oposta, aquele velho amigo de rosto sereno e em monólogo com um whisky qualquer…Outras imagens juntam-se aquela e povoam seu pensamento, e agora é ela que se vê nostálgica de um tempo que nem sabe se existiu, dos encontros nos pubs próximos a Hawley Arms na Castlehaven Road, das sentadas ate ao amanhecer no Marítimo, quando as regras duras desse tempo global não faziam parte de seu dia-a-dia… quase deixa-se dominar por um sentimento de culpa, aqule velho amigo(...) mas vence-o. Culpa tem Luanda, que de tão sem opções torna inevitáveis os reencontros… já pelo final da noite, viu-o esvaziar mais um velho esporão... sabia o quanto ele foi importante em sua vida, mas foi, passado! Sorri animada pro miúda e no intimo busca conforto (desencargo de consciencia???) em Deepak Chopra “Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento” este é o momento do miúda, é o que ela precisa, e é com ele que cabe agora discutir o como restaurar a velha ideia de amor, mesmo sabendo de antemão que ela não sabe amar como o mundo ama...

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Memórias: uma velha, um piano velho, o Jorge!

…Amílcar Cabral, 15:40. Semáforos off line, uma velhinha, – gosto de ver idosos, talvez por haver poucos a andar pela cidade - dois embrulhos, e eu. Ajudar ou não ajudar, eis a questão? Ajudar! Já do outro lado da estrada: "minha filha ieu moro no tarcheiro andar, ie rápido…". Pensei: velinha abusada (…) mas fui! Com a respiração ofegante pousei as sacolas na porta, já de saída, agarrou-me o braço e forçou o convite: “ientra filha, ao menos uma iagua”… guiada por um sei lá o que, aceitei, em vez da água, um café sem açúcar.
Instintivamente meus olhos pousaram sobre um monstro de ébano adormecido na sala: um velho mas belíssimo piano de cauda! “Posso”? Ela: "sim, sim, claro". E dedilhei (desafinado)… ela sorriu e disse: “tanho a história da minha vida guardada nas teclas deste piano” a frase me pareceu familiar, muito familiar, mas de onde?
BINGO!!!: O Jorge!!! Eu era menina de 14 aninhos e, conheci-o acidentalmente - dois dias antes da minha cerimonia de final do curso de música - na casa de um Eng. onde tive as primeiras aulas de computação num velho Machintosh. Falei da formatura e timidamente convidei-o também a ir ver-me tocar o "Ein feste Burg" de Martin Luther (o n. 323 CC-castelo forte) que eu havia ensaiado com muita dedicação, conduzida pelo Mestre Floriano.
Não sei, mas creio que o Jorge - recém chegado da Europa do Leste - já era músico, pois falou-me de harmónia e ritmo com muito apego e paixão. De entre muitas coisas lembro ter-me dito que “ as teclas de um piano têm muitas historias guardadas...”
O Jorge presenteou-me pela formatura, meu primeiro teclado electrónico, que neguei - porque meninas não pod(iam)em aceitar presentes de pessoa que não era conhecida do Papá e da Mamá.
Passarm-se pouco mais de 15 anos , e aqui estou: um piano velho, uma velha, e as lembranças do Jorge… que dizem continuar na cidade e tocar por ai numa banda de engenheiros…
talvez um dia volte a visitar a velha e seu piano (talvez não), talvez me arrependa de não ter perguntado que histórias têm as teclas do piano da velha... Mas o momento é nostálgio, lembranças do Jorge, que dizem, ainda tocar na cidade numa banda de engenheiros... o Jorge...

domingo, fevereiro 03, 2008

Mussulo Fragmentado

…domingo de feriado e de Carnaval (feriadão). avisto um entardecer luandino tranquilíssimo… uns esconderam-se nos seus casulos, outros abraçaram a estrada e foram ver Angola, uns há que ainda recordam mabakas, enquanto outros preparam mascaras. Eu, me divido entre os vários eus, e um deles afasta-se da cidade e vai ver o lamento do oceano, o mar me atrai, chama-me, e me convence, juntos murmuramos então a saudade do querer que partiu, e que deixou o gosto amargo de pecado…mas entre eu e o querer – ausente - uma muralha: o pedaço de mar…Mussulo fragmentado!!!!
mabakas=catanas

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Imagem do Blog da Diva (trasformada por mim)

... So porque pensei em você fantasia
melancolia, madrugada, sabe Deus!...



quarta-feira, janeiro 30, 2008

Meio Tom


outra vez, ao "apaixonante" fim
antecede aparente tristeza
prelúdio para um novo (re) começo...
de lágrimas, gemidos sorrisos
no tempo de um sustenido qualquer
quando a música se ajusta,
somos novamente os tais que
se querem sem prender para não perder...
separadamente Juntos, Mércurio!!

sexta-feira, janeiro 25, 2008

QUE SERÁ DE MIM QUANDO ME FALTARES...????

..um dia sentada ao lado de um poeta, lendo juntos um de seus poemas, fixei esta: "Que será de mim quando me faltares??..." Longe de mim, que em breve me faltarias. E aconteceu -exatamente no momento ingrato que para mim era o recomeço, depois da longa ausência, dificil, mas necessária - e ficou esse eterno não ter-te... mas a vida foi me ensinando a sobreviver, e fazer valer esse meu ser livre sem ti, e mesmo quando possível e oportuno não deixei que me passases do pensamento á palavra...Mas hoje faço-o, numa tentativa de aceitação do meu vazio, esse vazio deixado por tí e que por mais que o evite, permanece! E a vida vai me sendo assim: um filme opaco... E faço com a palavra essa luta expressiva comigo mesmo, em que o outro lado, a oposição, é meu próprio Eu, assim vou sendo esse ser intimo do nada, fragmentado, desnudado de tudo e em constante metamorphose, é nisso que me volto a ti, conselheira silenciosa de minhas angústias, é assim que no silêncio da madrugada reescuto-te nos dizeres da terra: "Kilumbu u kumbanza me'" MINHA MÃE!
* o poeta:I.M.
o dizer da terra: o mesmo q "has de pensar em mim um dia..."

quinta-feira, janeiro 24, 2008

GOTAS, GRAVATAS & VENENO

Ontem o Céu da minha cidade escureu e tudo indicava um novo desfile de gotas, nos trazendo à lembrança o que aconteceu ha um ano: uma Luanda de GOTAS, GRAVATAS E VENENO. O desespero, o medo, a força das águas... As marcas permanecem e o desfile das Gravatas continua...

Amantes ainda jemiam nos leitos
E os sós em sono refaziam sonhos
Gotas silenciosas envenenaram os tetos
E o céu tingiu-se de cinza e revolta

Descortina-se uma Luanda adormecida
Onde as águas fazem o verde mais verde
E ao povo dos subúrbios trazem o amargo fel
Uns se afogam outros se esvaíram

Enquanto isso de seus casulos
Despertam as poderosas gravatas
Rumo a honra que cede lugar a esperteza
Em nome do povo que jaz nas enchentes

Gotas silenciosas envenenam o chão
E o desfile das gravatas continua
Mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar
Elas se deleitam em sua esperteza

Lágrimas derramadas têm os meninos
Que de olhar distante, das águas curtem a força
Lágrimas sugadas pelas lembranças
Do que ontem foi seu habitat

Gotas insistem em doloroso veneno
Sós e amantes juntam-se aos meninos
E vivem o prelúdio de morte anunciada

Gotas são peste fome e mais miséria
E da esperteza das gravatas o alimento

quarta-feira, janeiro 16, 2008


Mãos cansadas e delicadas
Remendam as velhas sandálias
Conhecedoras intimas das areias e do asfalto

Sem rumo definido, silenciosa caminha
Para si, sai em busca de pão
Água e alguma esperança

Entre a calçada e o asfalto, de costas á areia,
Divide longos e apressados passos

Em pensamentos revive o tempo
Em que esperançosa sonhou e lutou
Por dias melhores para os seus

Mas a pátria roubou-lhe o sonho
Um a um viu os seus partir
Podendo por eles, nem ao menos chorar

Alguns deles resistiram ao novo tempo
Mas, entregues ao álcool e a frustração
Também deixaram-na só…

Um após outro entregou-os à terra
Solicita, dos costumeiros panos pretos desfez-se


Negando-se a ser vitrine da dor !


Hoje, anos depois
Nos pés e na alma, feridas afloram trémulas
E ao tempo suplicam cura

De encontro ao Kinaxixi esquece o velho balaio
Serena embala seus panos e do mar distante
Curte o frescor desolador


Das velhas sandálias descansa os pés
E em jeito de súplica, a Deus pede um novo tempo
O tempo do eterno descanso.

domingo, janeiro 13, 2008

CONCEPÇÕES DA ALMA


Sob a brisa do entardecer
em papel
recrio as concepções da alma
e de súbito vem-me a lembrança
esse ser de meu estranho ser

Porque amar humanos?
se posso amar-te a ti
nessa criação
as vezes intelectual
e ainda assim chamar-te amor!

Se posso recriar-te
sem temores, sem ilusões
sem tristezas, e longe de conflitos

Subitamente me lembro
que gosto tanto
desse seu não ser humano
mais do que a vastidão de humanos
e nisso nos parecemos, talvez!

Anoitece
Da criativa alma escuto:
há de ser assim por muito tempo!

Querer-te sideral
longe de temores, ilusões
as vezes de um jeito intelectual
e apesar disso chamar-te amor

Talvez, seja assim para sempre!

terça-feira, janeiro 08, 2008

BIOGRAFIA

Juntar cacos
De uma fantasia desfeita
E voltar a sonhar
Com novas fantasias

Com versos proliferando
O coração que ama

Recosturar a biografia
Emergida do Sonho
De uma dura realidade

Deixar fluir ares mais amenos
Ares que reflictam o amanhã

Juntar cacos
Reconjuga-los no plural
Exorcisar da biografia
Todo passado

Sem dor, sem ressentimento
Deixar fluir novos sentimentos

Voltar a palmilhar cada espaço
Voltar a ser meninva

Sonhar, viver, amar...

quarta-feira, janeiro 02, 2008

2008! VIVA O ANO NOVO TODO ANO!




Passei um tempo muito precioso fora do reboliço da velha Luanda, curtindo a beleza do Sul da Africa, entre a arquitectura cuidadosa do Melrose e o deserto seco e atraente da Namíbia eu aprendiz de camera man: a Sony tem tudo registado, quem viver, ops, quiser verá!!! Ficou para traz a paz, a tranquilidade, o sonho, a aventura. De volta à realidade, de volta ao blogmania.
Pois bem, com a chegada do novo ano é normal que façamos um balanço de tudo o que realizamos, e estabeleçamos novas metas para os próximos 12 meses, o espírito de mudança, determinação e esperança em conquistar mais, é muitíssimo forte: amar mais, ser mais profissional, cuidar mais da saúde, tomar menos café, ousar mais, economizar mais, investir na casa própria (…), mas infelizmente passa Janeiro e as propostas de mudanças ficam esquecidas numa gaveta ou num arquivo intocável no nosso PC, e aos poucos abandonamos a vontade e a crença na mudança, e quando chega um novo Dezembro o facto de o ideal não se ter tornado real traz-nos então a sensação de frustração, Onde está a falha? Para uma nova vida, novos propostos não precisamos da chegada de um novo ano, afinal, as mudanças podem ocorrer a qualquer momento, pois não é o ano que faz as mudanças acontecerem, mas sim o nosso interior, os nossos pensamentos, a nossa determinação e a nossa força de vontade. o que transforma nossas vidas é a conscientização do nosso interior, somos totalmente responsáveis por nossas vidas, e as mudanças acontecem em nós e não na vida, é preciso aprender que as mudanças apresentam sempre dois lados e nem sempre são más , e tudo depende de como encaramos a situação. Muita paz e amor, façamos a nossa parte e o mais Deus proverá! Deixo a todos e com muito carinho aquelas duas palavras de sempre: ATITUDE e OUSADIA! (não interessa a ordem)

quinta-feira, novembro 15, 2007

Eu não sei chorar como o mundo chora
Sinto forte minhas dores
Mas não as traduzo em lágrimas

Simplesmente vivo

E por que lágrimas? Para quê me serviriam?
Se a viagem ainda é longa, Se lágrimas ofuscam a visão

Eu não sei amar como o mundo ama
Amores, vivo-os intensamente
Mas por eles não luto, Simplesmente os deixo fluir

E por que lutar? Por que subjugar, dominar
Se lutas deixam feridas e feridas dificultam o caminhar

Eu não sei prender como o mundo prende
Faço-me cumplice da tal liberdade
Que nos permite chegar e partir

E por que prender? Se prender nos faz perder
E perdedores não podem caminhar

Eu não sei querer ficar quando o ideal é partir
e porque ficar? Se há novos sóis la fora
Se novos sóis iluminam o caminhar
Eu simplesmente seguirei vivendo...
Eu do mundo nego-me a ser aprendiz

domingo, outubro 14, 2007

EXISTÊNCIA X LIBERDADE


Amanhã não estarei mais em cartaz
E terás perdido a oportunidade ímpar
De comigo contracenar

Amanhã a peça será outra,
E a cena será de crianças e adultos
Actores de um humanismo genuíno

Amanhã já de liberdade conquistada
E junto aos de Eu refeito
Serei então, conselheira de tuas angústias

E diante das possibilidades de escolha
Serás legislador de ti mesmo
Pronto para o duelo existência/liberdade

Quem sabe amanhã
Tú em outro Eu, intensamente provocante
Ainda te queira em cena, mercúrio!

Amanhã!

Somente amanhã, pois hoje I'm much too tired to play your (our) game,
I was up all night…

terça-feira, setembro 25, 2007

...



...ainda a enorme vontade de me fundir em você mercúrio,
ainda a saudade da ingenuidade ora perdida,
ainda o cálice dolorosamente intangível
mercurio, mercurio...

sexta-feira, setembro 21, 2007

EM NOME DA LEI II

"A Cidade está a mudar " o velho Juíz lembrou-se do que um amigo lhe dissera em tempos. Diante daquele cenário começa então a vivenciar na pele as ditas mudanças: No meio da plebe ouvia-se vinda do palácio, uma voz num misto de génio e de louco: "EU, PÔNCIO PILATOS, aqui Presidente do Império Romano, dentro do Palácio e arqui-residência, julgo, condeno e sentencio à morte, Jesus, chamado pela plebe - CRISTO NAZARENO - e galileu de nação, homem sedicioso, contra a Lei Mosaica - por INSUBORDINAÇÃO ao grande Imperador TIBÉRIO CÉSAR. Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte na cruz...Mando, também, que nenhuma pessoa de qualquer condição ou franja da sociedade se atreva, temerariamente, a impedir a Justiça por mim mandada, administrada e executada com todo o rigor, segundo os Decretos e Leis Romanas, sob as penas de INSUBORDINAÇÃO contra o Imperador Romano"

As reações foram rápidas:o antropólogo, também estilista com um ar muito calmo exibiu uma frase de revolta: " The raping by the ass of a beautifull teen virgin called democracy, I said 4 years for what?" o político falou para os mídia e mostrou-se muito decepcionado com o fim, o pensador e formador de opinião permaneceu mudo e todos entenderam o porquê, o próprio César -antes mesmo da sentença-fez as malas e foi ver uma velha amiga-muita velha imperatriz - de um estado amigo de Roma. O sóciologo que sempre quis ser juiz, não tinha muito interesse na sentença como tal, esperava apenas mais argumento, mais retórica e triste desabafou: bah que decepção!!! Julgamento isso? foi mais uma grande fantochada concebida por quem o promoveu para dali extrair dividendos políticos! Os discipulos, por incrível que pareça esconderam-se todos em tocas, mudaram de identidade, uns até converteram-se a César. Nos muros do palácio frases a favor e contra foram grafadas pelo Senso comum.

E este juíz ainda muito embaralhado com o cenário, seguiu em frente subordinado a seus próprios pensamentos, e sobre os seus quase dois metros de altura murmurou cabisbaixo: " a cidade está a mudar!!! Está dada a sentença!" E ainda em pensamentos lembrou a velha máxima romana Vae Victis! (Ai dos vencidos!)

terça-feira, setembro 18, 2007

SINGELA HOMENAGEM


Amanheceu Segunda Feriado , como muitos Luandenses madruguei na luta pelo “comburente” Galp, Marginal, Rádio e finalmente a longa fila do 1º de Maio, que também denominaram de Praça da Paz. Quem eu encontrei? Agostinho Neto, firme imponente. Tentei a duras penas ler-lhe as feições do rosto na ânsia de descobrir se o Poeta, o politico ou o médico humanista: tudo nele se confunde…
Lembrei-me então de ontem a noite: Três gerações - a de meu Pai, a minha, e a depois de mim - reuniram-se na sala lá de casa, todos em torno do tão esperado feriadão. Se aos últimos a data quase nada dizia, aos da geração de meu pai e aos da minha, era sinónimo de nostalgia! Meu pai lembrou nostálgico aquele 22 de Agosto, quando nossa cidade natal foi palco do último discurso do agora “Guia Imortal”: “tem kizakaé??” perguntara o líder levando o povo ao delírio, fazia-se já sentir a pouca intensidade da voz do líder; minutos depois, Maria Eugenia lhe passara um bilhetinho. Desculpou-se então por não poder fazer um discurso mais longo: “minha voz não esta boa”.
Quase 20 dias depois o país vestiu-se de preto e as lágrimas rolaram inconsoláveis, a nós que éramos criancinhas nos foi passada a mensagem de que não teríamos mais brinquedos, pois o camarada presidente uafú kya, e com o olhar cravado na foto do líder, inconsoláveis, juntamo-nos áo pranto dos adultos:
povo a chorar, povo a gritar Netuéé …
Agora vejo-te ai Neto poeta! Sabes tu do que vem acontecendo além do Zaire e Kalahari? Que fazes ai de braço erguido? Sabes que roubaram-nos a esperança e quase nada mais inspira nossas consciências desesperadas. Nas Sanzalas, nos subúrbios e nas cidades, os negros continuam em desespero abandonados a sua própria sorte.
Ai Neto, 28 anos depois não tem bancos no Kinaxixe, onde sonhaste sentar e ver os servos de pais também servos em busca de alguma felicidade e glória. Meu caro Neto, vivemos em bairros cada vez mais escuros onde nosso desejo de SER é utópico, e nossas mães Neto, ainda morrem porque foram-se os médicos humanistas, nos restam os capitalistas, e quando nós mesmo não podemos traze-las à vida, morremos então, e no ar ouve-se em sintonia o chora da Africa, Neto! E em muitos de nós ainda persiste a vergonha de as chamarmos MÂE.
Neto meu poeta, já não se fazem mais amigos - como aquele teu - o Mussunda- capazes de SER no espírito e na Inteligência! Nós simplesmente não SOMOS MAIS, Neto!
Mas fizeram-te herói, e hoje vão render-te homenagem lá onde fizeste teu ultimo discurso, e vão faze-lo novamente em outros Setembros … e tú amigo Neto enquanto permaneces ai no silencio de pedra, aquela outra geração depois da minha, passa por aqui e não sabe que ai onde vives havia um blindado, símbolo de uma guerra da qual se calhar nem cúmplice foste meu poeta, (poetas não fazem guerras!).
Estes míudos que ai dormem não sabem nem de longe daquele velho lema “pioneiros de Agostinho Neto na construção do Socialismo, tudo pelo povo” esses nem são pioneiros, são simplesmente uns putos, que sem pão e sem casa tem por sombra os teus inertes pés Neto, marginalizados pelo sistema, pela vida…
Neto agora preciso ir, até porque a fila dos comburentes está bastante avançada. Sei que logo mais dois bons amigos vão fazer-me aquela crítica de sempre: Como insistes em oferecer superqualidades a alguém que em nome da utopia socialista, ignorou todos os axiomas de justiça e ofereceu ao país o espectáculo da morte e da ruína que persiste até hoje? Que responderei a eles Neto? O Mesmo de sempre:
o Meu Neto é o POETA!
Sei que um deles - o entendido em poesia - ainda vai comentar da relação linear entre politica e poesia em Agostinho Neto…talvez ai eu fique sem comentários. Mas ainda assim, deixo no ar essa singela lembrança, essa singela homenagem a ti, para deleite da geração do meu Pai, da minha, e quem sabe mesmo da depois da minha, Sagrada Esperança!!

quinta-feira, setembro 06, 2007

Desconexa



... perderam-se as palavras, os sons, sobrou a cidade vazia e eu presa no labirinto do sentir, mergulhada na lágrima perdida, expressão de sua ausência em mim... 0:08 já é novo dia..."águias foram feitas para voar" ...

sexta-feira, agosto 31, 2007

Eu e Eu

Novamente as discordâncias do eu
[o EU de facto e o eu lírico
Mas sigo em frente
Fazendo de ti um terceiro eu
[o alter-ego, outro EU
Oculto no lirismo dos olhos, os teus

Dos meus, o misto de verdade e utopias
Presentes também no nosso viver
De esperanças tão conscientes,
Outras vezes antecipadoras

Onde os destroços de nós

Nos remetem a um tempo novo
Que é quase concreto, mas
Nos trascende.

Da paisagem do atlântico que nos divide,
O dueto fragmentado de mim
[de
você…
Ainda acorrentados a outros quereres,
[
necessários!

Mas insisto em querer-te
Em novos espaços, novas dimensões
Que não cabem em metros quadrados…

Mas levam a anulação do nosso EU
Desarreigado de preconceitos
E sem nuances culturais

Insisto em querer-te em outras dimensões
Onde a re-invenção de nós é realidade
E redescobre nossas mentes,

corpos...

Ansiosos do despropositado querer
Expresso na troca que conduz ao auge
E dissipa as discordâncias do EU


Mathaya

sábado, agosto 11, 2007

VISION


...fechou muito tarde as pálpebras na ânsia de ve-lo chegar. Não chegou! vencida pelo cansaço e pelo tempo, adormeceu. Poucas horas depois, a brecha da cortina deixa entrar o preguiçoso sol de cacimbo que namora-lhe o rosto, espreguiça-se de leve, vence a vontade de permanecer na cama e vai enfrentar o mundo, a vida, agora reduzida à urbe Luandensis. Na escravaninha os mesmos papéis de ontem: ...................... perto do meio dia um meeting anteriormente adiado, novas perspectivas, novos caminhos. Nos abraços de despedida o olhar desvia-se ás unhas - sem comentários- pensa em ir a um salão... mas fica somente pelo pensamento, a acção é adiada, o estómago pede alimento, o corpo pede descanço... enquanto este descança, a mente permanece em movimento, realimenta as idéias, os novos insights e faz até uma reflexão forçada de I Corintios 13:12. -
"Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente" - e deixou-se então vencer pelo sono... ela também é humana!!!!!

quarta-feira, agosto 01, 2007

LUBAVITCH


Vejo-me em tua porta, prostrada
Movida pelo profundo desejo
Um de meus eus critica-me
Mas o intenso querer contrapõe-se a razão
Quer sentir, transmitir, partilhar
A intensidade que é própria de tí
Sons da noite chegam-me aos ouvidos
Mas nada, nada me interessa
Ligo-me a outro compartimento de mim
E solfejo versos e notas soltas
De corpos que se quiseram indivisíveis
Em noites e dias da doce Lubavitch
Eu cada dia intensamente tua
Tú simplesmente meu sol
Feito de átomos e palpitações trémulas
No auge do querer, me descubro Só!
A frieza da noite invade-me o corpo, a alma
Não é nada original, mas dói, ah, como dói!
Meu incontrolável desejo digere o não
E é mais uma negaçao á Lubavitch…
Cabisbaixa subo os degraus da alma
E ainda no ardor do abandono e da solidão
Revejo-me em outro compartimento
A lembrança de ter estado à tua porta desvanece
E no santuário de mim, ressurge meu eu racional
Que leva-me então a compreesão
De que ainda será assim por muito tempo
Que ainda estou (estamos) In Metamorphosis,
Ainda estamos na “antesala” onde
E nos é servido o licor da esperança
A ESPERANÇA com seu poder de se realizar ou falhar ...

Lubavitch....

terça-feira, julho 24, 2007

ABSTINÊNCIA POÉTICA ESTÉTICA




Este ano estou nessa de ATITUDE, deixando para trás muita coisa, e abrançando todos os caminhos possíveis para qualidade de vida, paradoxalmente, o duo gastritre/asthma decidiram caminhar mais vigorosamente comigo, em atitude de desafio à minha ATITUDE. Dizem os mitos que café provoca/intensifica a gastrite, o que torna normal a surpresa e reprovação das pessoas ao me verem ingerir uma chávena atrás de outra. E pensam logo em vício/dependência. ...nunca me senti dependente muito menos viciada, apenas uma "habituada". Para quem não sabe: em um estudo recente observou-se que a cafeína não atua sobre as áreas do cérebro responsáveis pela recompensa, a motivação e a dependência da mesma forma que as anfetaminas e a cocaína. Também não parece haver relação entre os sintomas de abstinência experimentados por alguns consumidores de café, como dor de cabeça e letargia, e as quantidades diárias que eles consomem. (Nehlig, A). Médicos especialistas do aparelho digestivo tbm afirmam que não existe comprovação científica de que café provoque gastrite ou úlcera gástrica, mas é certo que altera a motilidade do trânsito gastrintestinal. Assim como o gindungo, o café é um irritante local que aumenta a secreção ácida. Os efeitos benéficos do café em casos de asma são conhecidos há mais de cem anos- que o digam os escoceses que usam-no no tratamento da asma desde 1859 . Pois bem a razão de minha asbtinência nada tem a ver com gastrite, asma ou qualquer falácia, tem a ver com éstica poética (rsss) meu poeta instrui-me a "...dar á humanidade os sorrios que ela nos pede..." Café altera o esmalte dos dentes, tornando o tom perolado em amarelo, e dentes amarelados impedem um bom e belo sorriso, ou no minímo oferecem um visão pouco estética! Reduzi a dose, e reduzi drásticamente, passei por momentos difíceis, fez-me muita falta aquele último de antes do sono... fase dura da abstinência! Mas agora estou melhor, ainda penso nele com intensidade, mas mais forte do que isso é o compromisso com ATITUDE, ATITUDE, ATITUDE. Não me lembro onde está meu copo térmico, não tenho mais em minha gaveta aquele instantáneo... agora estou em apenas um por semana, em nome dos sorrisos que a humanidade nos pede! Tomei-o hoje: suave, companheiro, preto, amargo mas prazeroso, e no último gole, aquela sensação de: até ao próximo em nome dos sorrisos que a humanidade nos pede!! Muito há ainda para ser estudado e descoerto em realção ao café e bem estar, pena que falar em investigação científica aqui na nossa terrinha é um sonho distante, nossos "especialistas" andam totalmente presos ao capital, ou distantes dele (aos que alimentam a vontade, mas faltam-lhes os meios) ai dão força aos mitos. até

quarta-feira, julho 18, 2007

BE STRONG AT CROSSROADS



As vezes é num abrir e fechar de olhos que nos damos conta que nosso castelo é de areia e pode ruir a qualquer momento, o ideal é não lamentar muita coisa, desculpar-se a si mesmo e aos outros sempre que for necessário, chorar quando as lágrimas não quiserem parar, reescutar pensamentos, palavras: Crossoroads of life !


CROSSROADS OF LIFE

"Sometimes, when I look back and think of all the
could-have-beens in my life,
I often wonder:
Did I make the right
choice....
Did I miss a road sign....
Am I on the right track....

C R O S S R O A D S.....
They happen all the time,
Saying
goodbye to some,
Choosing only one.
Letting go, holding on... settling
for now,
But facing what must come....

Yes, in life we all reach a
crossroad sometime.
We make painful decisions and take some risks
as we
pursue our dreams.

But one should not stay at the CROSSROADS too long.
For even the birds have to leave their nests sometime
& learn how to
fly.

Life's road is long & rough, and there are stretches
when
one has to do it all alone.

And should you meet the cross at the road,
be consoled.

Yes, more often than not, the road less traveled
will
surely bring you home.

Face the light and the shadow falls behind you.
Turn your back & the shadow stays in front of you.

Indeed, the
truth hurts,
but it will surely set you free.
The bitter pangs of
parting will give birth to
another moment called GROWING.

So grow
on..... until it's time for you to move on....
and face the crossroads
again,
knowing that God loves you and is in control of
everything.

Be strong at the CROSSROADS

Embrace the CROSS at the ROAD.
The Lord is at the cross, at the road,
at all your CROSSROADS......
(Author Unknown)

quinta-feira, junho 28, 2007

MUNDO MEU; MUNDO NOSSO



Ontem meus olhos não resistiram e encheram-se de lágrimas de saudades da minha Estrela Guia minha mamita querida,
Hoje eu voltei a chorar, não foi de saudade, foi de emoção, emoção de voltar ouvir a gravação original de mundo meu mundo nosso, quem me conhece e conviveu comigo no mínimo mais de 24 horas sabe, como naturalmente essa musiquinha de criança flúi em mim…

Quero ter um sonho longo e tão feliz
Perseguir nas chanas a lebre e a perdiz
E sentir que os animais são livres como eu
Crianças como eu sem medo como eu
Quero edificar um circo pra todos como eu
Sorrir cantar criar um mudo como o meu
Esse sonho lindo só a luz o coroar
Terra maravilha de bailados encantar
A felicidade sendo um bolo a repartir
Amor a dividir crianças a sorrir
Quero ser um entre todos os que devem sentir
Amor fraternidade no nosso porvir
Eu sou, nos somos pedras nesse mundo a levantar (??)
Aguas nessa chana bóias nesse mar
Sonho nesta noite em que ninguém mais quer sonhar

Um vastíssimo obrigado ao KK que me trouxe de volta essa relíquia da infância que me faz estar entre os que ainda querem sonhar!!!

quinta-feira, junho 14, 2007

CONSTELAÇÃO MERCÚRIO


Eu e o destino sobre o cais
Peito sufocado, asas á imaginação

O Eu atrevido ouve-me o soluçar
De bits e ritmos incertos
Dos corpos separados, constelações…

Eu no cais
Sem cheiro, sem toque, sem pele
Nem por isso menos intenso e belo
Esse desejo feito pingo de mercúrio

No céu a lua cheia e nua
Reflecte os repetitivos nauns ao desejo
Realidades feitas de distância
De saudade, mercúrio, mercúrio, mercúrio

E na tentativa de reter as gotas
Mãos Afrodite abrem-se no vazio

Fazendo-me vítima da libido do Eu
E viajo aos jardins intangíveis
Feitos possíveis pela imaginação

No cais

Eu, a distância, o medo

Um único medo: De mim!
Peito sufocado, asas á imaginação


Nas constelações bits e ritmos incertos
Eu Afrodite, mercúrio, mercúrio, mercúrio...


© A.Mathaya Junho/2007

quinta-feira, maio 24, 2007

NÓS E O NOSSO PETRÓLEO


O petróleo é nosso e a Sonangol também! como a praça é do povo e o céu é da andorinha.
(Qualquer semlhança com Castro LAves é "mera conscidência")


- Alô, Fala ai amiga, daqui é a Muiny das Europas!! como está a Banda?
- Olá ah quanto tempo!!!
- Nem posso falar muito amiga, diz-me: é verdade que a Sonangol vai ser privatizada?
- Que eu saiba não
- Epá estão aqui a dizer que vai as mãos de empresas estrangeiras
- Humm, o que sei é que abriu-se sim o país para o capital estrangeiro (isso não é de hoje) para a exploração do petróleo em águas profundas, (ultra profundas) afinal não temos capital nem tecnologia.- ah
- Olha fica tranquila ainda vale aquela lei Lei n.º13/78, de 26 de Agosto:
- Epá menos mal e ainda por cima o nossa Cabinda dá-se o luxo de variar em patamares acima do WTI- Ahahhaa, Já estás com “economes”??? Olha vou bazar, é que mal consegui dormir com essa da privatização da “Sona”
- Fique tranquila: O petróleo é nosso e a Sonangol também Do mesmo que a praça é do povo e o céu é da andorinha
-Epa fixe, ligo-te um outro dia!

sexta-feira, maio 18, 2007

CARO DIRECTOR



Caro Director, como de costume o garoto trouxe-me o jornal, dei-lhe KZ 500 e não me deu o troco – uma bela maneira de perpetuar nossa relação de compra e venda. Senhor Director, não é sobre o vendedor que desejo falar, é sobre o seu jornal, por sinal o único diário da capital, do país. Director não podia deixar de transmitir-lhe minha felicidade em relação a inovação de hoje: o Caderno Economia & Finanças, parabéns director, isso deveria acontecer há muito - afinal é assim em quase todos os grandes diários do mundo (o nosso JA é grande meu director!) – cansava-nos já aquela pequena página de economia, quase sempre trazendo mesmices: crescimento dos bancos, empresas telefónica, petrolíferas para variar um e outro lance da relação Angola-China (é o que está a dar!) e o sempre cantinho das taxas de cambio (de grande utilidade)
Director, não sei de quem foi a ideia inovadora, se sua ou do Editor, Parabéns! Apenas lamento o facto de não constar nenhum e-mail na ficha técnica, para eu poder então “emailar” minha satisfação e meu elogio! Meu caro director tive esperança de achar o e-mail do caderno na ficha técnica central, mas imagine: tem lá apenas um “e-mail centralizado” um tal de jornaldeangola@.... Director eu sou tão insistente e persistente que decidi ver o site do seu jornal: que surpresa meu caro director!!! Aquele envelopezinho de contacte-nos, escreva para nós, não funciona director!! Que tristeza meu director! Ah, eu ainda vi um tal de cartadoleitor@hot..., mas eu não pretendo reclamar dos buracos, da violência, da edel… eu queria somente fazer um elogio exclusivo ao seu editor quem com certeza não cabe em carta do leitor. Director, fiquei sinceramente sem alternativa e com uma grande pergunta: essa ausência de meios modernos que facilitem do contacto com o leitor é intencional? É um exercício voluntário de centralização e controle? Director eu prefiro que a resposta para todas as perguntas seja negativa, prefiro pensar que o JÁ ainda está a adaptar-se ao mundo da informação electrónica. Voltando ao caderno director, mais uma vez parabéns, tragam ao caderno as análises do admirável Alves da Rocha, e de outros pensologos da área, tragam estatísticas, números. Ah, antes que eu esqueça Director, são 16 folhas no caderno e 9 dedicadas a publicidade, (não será muito??) O JA já tem um sem número de classificados, necrologia, nosso caderno não precisava estar cheio disso novamente,!!! E uma última: a matéria sobre a queda livre do dólar é pontual, mas por favor não nos privem da tabela de câmbio. Bom fim de semana director! Ja que lhe não posso emailar, vou então blogar!

quarta-feira, maio 16, 2007

A MICROFISICA DOS (nosos) MAGNATAS DO PODER

Vou mandar-te de presente – como indirectamente me sugeriste - As 48 Leis Do Poder cujo autor não tenho em mente, talvez assim entendas um pouco a contrariedade que viste em minhas palavras, em relação a discussão sobre como o poder vai se exercendo e adquirindo aqui na terrinha, um pouco aquém de Maquiavel. [ assim quem sabe perpetúo o poder que tenho sobre ti ( perdoa!!) ]
Com o poder e pelo poder as pessoas deixam de ser elas mesmo e assumem novas identidades moldadas pela forma do poder e deixam tudo agir em volta do novo status. Falar dos nossos MAGNATAS DO PODER, é extrapolar o campo politico e considerar também o poder que se exerce e se adquire no quotidiano.
O poder os obriga a andar de fato e gravata dia e noite, em cerimonias oficias e em encontros informais, mesmo com a nossa Luanda 38º (bem vindo cacimbo!)
Nessa matéria dou meu voto aquele jornalista do “voto na matéria” e um ponto para aquele professor universitário que descobriu o homos angolensis suficientis, estes dois desfilam sem nenhum problema seus bibes africanos, negando-se quase sempre ao casaco e a gravata.
Para os magnatas do poder de minha terra é muito normal neles alterar a forma de se relacionar com o outro: facilmente respondem há um caloroso “olá há quanto tempo!” de um velho colega, por um frio “de quem se trata?”. Isso para não falar do aparentemente despropositado “De onde nos conhecemos?”
É de rir: um destes magnatas da nossa terra foi barrado a entrada de uma sala de conferências, quando querendo fazer-se valer do seu poder quis transgredir aos procedimentos normais de entrada, de nada ou quase nada lhe serviu o “sabes quem sou?” Naquela conferência valiam as regras pré estabelecidas e não o poder revestido de gravatas!

Mais grave que isso, é a servidão voluntária dos lambe botas do poder, dispostos a qualquer sacrifício para sustentar a proximidade ao poder e no intimo o desejo profundo de um dia serem o próprio poder.
Outra grande característica dos magnatas do poder é o pacto do auto-engano, não se deixam criticar e quando o permitem, fazem-no de maneira tão hipócrita, que o sincero que o fizer corre o risco de torna-se então, inimigo mortal do poder - esqueceram do que leram (se leram!) de Santo Agostinho: "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem"

O importante não é ter poder, é saber usa-lo, assim escreveu Foucault: como tal o poder não existe, existem sim relações práticas de poder!
Vou mandar-te amanhã cedo as 48 leis do poder, e considere-o sua -antecipada- prenda de aniversário.
Até breve.

terça-feira, abril 17, 2007

TPA( Tensão Pré Aniversário)



Minha vida estes dias transformou-se num verdadeiro festival de repetições, que não são somente as minhas mas as de muitos moradores de luanda e arredores, os mesmos buracos, a mesma escuridão, os mesmos depósitos vazios, as mesmas mentes incautas, cauterizadas… tudo isso nos leva a ser aquilo que Pinto de Andrade chamou de hommos angolensis… (ou algo parecido) mas não é destas generalidades que pretendo falar, meu Post hoje é sobre minha TPA que a esta hora já é simplesmente TA (tensão aniversarial) esse sentimento estranho que vai se apossando de mim na Glória dos meus 33 anos -uns insistem em dizer que são 29, 0utros 30, meus projenitores jamais errariam! - são gloriosos 33 -( a idade de Cristo) vindos de 1974.

Fragmentos? Muitos! Um sem número de momentos felizes intercalados de angústias, de gratificante euforia, com as coisas, momentos e pessoas que a vida me brindou, ainda brinda, uma dessas pessoas é meu Gurú, que participa de minhas angústias mas junta-se a mim também nas alegrias, na junção dos fragmentos, essa figura deliciosamente humana, com seus impedimentos, algumas vezes em maior escala que os meus...

Mas até nisso vejo glórias, pois a vida me tem ensinado a fazer da felicidade um sentimento duradouro, a encontrar essa tal felicidade em que cada circunstância, mesmo nas mais adversas, é isso... se algum dos leitores destas humildes palavras perguntar o que representam estes anos, certamente direi que nâo representam nada acabado, afinal ainda estou (estamos) em Metamorfose, ainda o juntar de pedaços, o desejo de ser, ainda a mesma inquietude... ainda a pergunta calada nas entrelinhas das repetições: o que faria Cristo em meus passos? ainda...

terça-feira, abril 10, 2007

MÃES DE MAIO (de Angola)

Foto praça de MAyo: K Winifred

Sábado, o primeiro do mês, 21:45, sobre a cama o vestido longo verde musgo (sim um vestido!), na mente a ideia de desistir da festa, aos poucos a ideia tornou-se consistente e o vestido de volta ao cantinho de sempre do guarda-roupas, … feliz com a desistência, ao som do “Nação Música” de Afra Sound Star curto os mais de 1 G de fotos , presente de K.Winifred, a minha “amiga without comments!!” que foi ver de perto a reunião de quinta feira das mães da praça de Mayo (Buenos Aires -Argentina)… nessa de arrumar o PC, uma bela conscidencia: encontrei MÃES DE MAIO, que só existe graças ao meu Gurú, que vez a outra preserva algum fragmento meu, -muitos deles foram-se com meu velho Toshiba ( não aprendi a lição do back-UP) – MÃES DE MAIO merece um post, ai vai:


M Ã E S DE M A I O
(De Angola)


É cedo demais para desistir!
É o clamor das mães por seus filhos
Na luta pela vida, pelo amor, Um direito!
Solidárias, decididas juntam-se a eles

Negam o direito enquanto abstracção
Buscam a essência do homem. Ser humano!
Sustentam-se em quimeras faraónicas
Na precariedade insolente do tempo

Da história retiram o imponente alento
Dos que sem posse e sem pompas
Limitados pela carne instigaram o amor
Deixando rastros e trilhas de sangue. Ódio!

Fogem do prazer descartado da libido
E o sepultam na sagacidade da alma
Da beleza de mulher e força de mãe
Apenas restam as marcas do tempo. Renúncia!

Em quimeras visitam os Mayombes
Kuymas, Késsuas e Kuanavales...
Tentam neles rebuscar sua essência. Sonho!
Mas ela se perdeu, aí não mais vive.

Cúmplices do tempo ainda buscam o direito
E é da recôndita sapiência da alma
Que ouvem o grito simultâneo de outros filhos:
“NÓS AINDA NÃO DESISTIMOS MÃE”. Esperança
!
©Ana Mathaya. In E.S 2002


“A semelhança das mães da Praça de Maio na Argentina, de nossa terra também se houve o clamor e a dor das mães, brigando pelo direito dos filhos, dos que ainda vivem, e daqueles cujos nomes a vida ofereceu ao anonimato e à história. Mas a própria história, um dia, far-se-á juiz do tempo, do direito, da vida...
...Ainda há esperança, e a esperança somos nós! MÃE ANGOLA!”